Com a volta do São Francisco à elite do futebol paraense, a expectativa entre torcedores e dirigentes é grande para a reedição do clássico da cidade de Santarém: o Rai-Fran, como são chamadas as partidas contra o rival São Raimundo. O duelo não ocorre desde 2000, quando o Leão Santareno foi rebaixado à segunda divisão do Estadual. Em 2001, o Gigante do Tapajós entrou numa grave crise financeira e ficou sem disputar competições profissionais durante nove anos, contentando a torcida fanática com participações em torneios municipais.
Desde que voltou a disputar partidas oficiais, a ascensão foi rápida. Em 2010, voltou a disputar a “Segundinha”, mas não conseguiu o acesso à primeira divisão. Esse ano, a comissão técnica comandada por Osvaldo Monte Alegre finalmente conseguiu trazer o São Francisco de volta ao Parazão: foi vice-campeão da segunda divisão e ficou em 2º lugar na primeira fase.
Por outro lado, o São Raimundo aproveitou o hiato sem o arquirrival e cresceu. De acordo com o assessor Francis Moura, o Pantera cresceu tanto que conquistou torcedores do rival, tornando-se a maior torcida da região. “Hoje em dia a torcida do São Raimundo é pelo menos o dobro da do São Francisco. Esses 11 anos longe do futebol foram 11 gerações que só conheceram o Pantera. Por isso dizemos que o clube ‘conquista corações’”, conta Francis.
Para Igo Sousa, torcedor do São Francisco, as dificuldades do clube do coração não afastaram os verdadeiros torcedores do azulão santareno. “Foi difícil ver o Leão do jeito que tava, mas, mesmo no amadorismo, a torcida não deixou de acompanhar o time. Quem realmente torce pro São Francisco não virou a casaca”, explica.
Os próprios torcedores rivais ficaram felizes com a volta do São Francisco à elite do Estado. É o que afirma Elzo Silva, membro da torcida organizada Garra Alvinegra. “A volta deles é importante para que cresça o futebol da região, além de alimentar a rivalidade entre as torcidas. Vai ser bacana ver o Colosso do Tapajós lotado novamente para um Rai-Fran”.
Segundo o dirigente do São Francisco, Valdir Matias Júnior, após a partida contra o Bragantino, que garantiu a classificação do clube para a segunda fase do Paraense, a cidade passou a respirar o clássico. “A rivalidade estava adormecida, mas voltou com tudo quando chegamos de Bragança. A torcida foi receber o time no aeroporto e seguiu em carreata pela cidade. Agora, Santarém não fala mais em outra coisa que não seja o Rai-Fran”, conta. (Diário do Pará)
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