Aquele provérbio que diz “um bom filho a casa torna” sempre vem à mente quando queremos expressar o retorno de alguém querido. A volta de Marciano Hedelson Estevão de Souza ao Baenão ilustra bem a lógica do ditado. Até mesmo o número de seu telefone particular se manteve com o DDD local no tempo em que jogou pelo Icasa (CE). “Pois é... as pessoas me perguntavam: quando tu vai voltar para lá?”, conta ele.
E para quem tem um nome interplanetário tirado de uma revista (“antigamente existia aquelas revistas com dicas de nome. Uma amiga da minha mãe leu, gostou e falou para ela”, explica), os objetivos para 2012 são simples: voltar a fazer gols e ser campeão paraense para colocar o Leão de volta ao cenário nacional. De férias em Oeiras, interior do Piauí, sua terra natal, ele conversou com o Bola por telefone:
Estás de volta ao Clube do Remo na mesma situação em que saíste: sem série e precisando ganhar o Parazão. O que precisa ser feito de diferente para essa vez dar certo?
A situação da minha primeira passagem realmente é idêntica ao meu retorno: precisávamos ser campeão para voltar à elite do futebol como um primeiro passo a ser dado. Naquele ano, o Remo tinha muito jogadores com experiência e rodagem. Esse ano o Remo fez um trabalho de base muito bom. Pelo que vi no jogo da minha apresentação (contra o Cametá), o time tá com bons valores que serão muito bem aproveitados, com o trabalho sendo continuado em cima deles. Essa mistura da juventude com a experiência tem tudo para der certo.
Apesar do Remo não ter tido sucesso naquele ano, a tua passagem foi marcante aqui. Sente uma responsabilidade maior em repetir isso em 2012? Esse fardo pode vir até a te atrapalhar no decorrer do campeonato, caso os gols não saiam?
Vão cobrar muito mais. Na minha primeira vez foram 13 gols em 19 jogos, uma média muito boa. Agora, o torcedor quer ver isso ou algo melhor. Mas estou acostumado com essas cobranças na minha carreira. Sei que vou ter que trabalhar muito mais agora para corresponder a essa expectativa, mas também preciso deixar claro que não sou o salvador da pátria: o bom desempenho do time vai depender do time todo.
O que mais te motivou em trocar o Icasa pelo Remo?
Tive uma história muito grande no Icasa, onde fui artilheiro e consegui o carinho dos torcedores de lá. Mas, algumas coisas profissionalmente começaram a não ser da maneira que me agradava. Na minha carreira, tive a felicidade de me sentir bem em alguns clubes, sempre procuro isso. O Remo é assim. Desde que saí, sabia que um dia as portas iriam estar abertas no momento certo para eu voltar.
Alguns torcedores saíram receosos com que o Remo apresentou no empate com o Nacional (AM). Confias que o Remo conseguirá montar um elenco forte para ganhar tudo que precisa?
Primeiramente, o que fiquei sabendo foi que esse jogo contra o Nacional foi uma prova de fogo para o Remo. Era um time que também já estava se preparando para o ano que vem. É preciso deixar bem claro que o Remo a comissão técnica do Remo é muito competente, foi campeã paraense, portanto, conhece muito bem o nosso campeonato e o que é preciso para vencê-lo. Lógico que o Remo, pela sua grandeza, tem que ter cuidado. Para jogar no Remo, o jogador tem que ter personalidade para superar os possíveis momentos difíceis. E em que eu puder ajudar com a minha experiência, tanto dentro de campo, como fora, eu vou contribuir.
O Remo já fez praticamente 20 contratações esse semestre. Mas nenhuma foi tão comemora como a tua. Qual o recado de esperança deixas para a torcida?
Quero agradecer imensamente o carinho que a torcida azulina tem por mim. Percebi isso na minha apresentação, o que só fez aumentar a minha responsabilidade na vontade de jogar e ajudar o clube. Até meus parentes aqui (Piauí) se impressionam com esse carinho, eu só tenho agradecer e dizer que vou retribuir ali na frente como meu melhor. O torcedor pode esperar, ter confiança e paciência, porque esse grupo será formado por homens.
O time de 2012 é o “Marciano e mais 10” ou está disposto a disputar a vaga com alguém?
Não, cada jogador busca o seu espaço. Em 2010, quando cheguei no Remo, os atacantes estavam muito bem, tinha vindo de uma goleada de seis, em que a dupla de ataque, cada um tinha marcado três. Mas, duas rodadas seguintes, eu estreei e consegui me sair muito bem até conquistar minha vaga. Claro que sei do meu potencial, mas vou trabalhar para ter essa vaga.
(Diário do Pará)
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