Nenhum campeonato regional é disputado apenas por jogadores locais. Nem poderia ser diferente. Os clubes buscam reforços em outras praças. O Campeonato Paulista ganha um sotaque diferente quando se vai analisar o elenco do Santos, atual campeão. Paulo Henrique Ganso é paraense. O plantel do Corinthians tem o treinador, Tite, e o apoiador Alex com origens no Rio Grande do Sul. De lá, também veio o craque Ronaldinho Gaúcho, do Flamengo, atual campeão carioca. Gaúcho e companhia vão lutar pelo bi da cidade maravilhosa.
No Pará, esse fenômeno é antigo. No início da década de 2000, o capitão bicolor Gino, paulista, levantou alguns troféus. O goiano Sandro também repetiu o gesto em 2010. Michel, ex-São Raimundo, deixou o Campeonato Paraense mais amazonense, quando imitava boi bumbá. No Remo, o último capitão a levantar uma taça foi o paulista Diego Barros. Até no Independente, primeiro clube do interior que ostenta o título da competição, Gian foi o craque de 2011. Gian é paranaense. Esse ano, o Remo resolveu apostar em goianos e em um estrangeiro.
O problema é que essa espécie de ‘nacionalização’ do Campeonato Paraense é inimiga dos atletas locais. Nos últimos dois campeonatos, por exemplo, pode-se destacar apenas Moisés, ex-Paysandu, como um talento local que realmente foi decisivo em uma conquista regional. Os demais tiveram algum brilho, mas sem uma sequência, como Edinaldo, ex-lateral do Clube do Remo e Rafael Oliveira, ex-Papão. Em 2012, esse fenômeno não deixará de acontecer, lógico. Mas, está ameaçado.
Paysandu, Tuna e São Francisco são elencos e times recheados de jovens da terra. No caso bicolor, não é exatamente uma filosofia e sim uma necessidade.
(Diário do Pará)
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