No sábado (18), o Clube do Remo derrotou a fraca equipe do Comercial de Ananindeua por 3 a 0. O jogo-treino foi uma solicitação do novo comandante do Leão, Flávio Lopes, para fazer uma avaliação mais adequada do plantel azulino. Nem o largo placar, contudo, agradou o treinador, que foi bem sincero quando indagado sobre o desempenho do time. Discurso oposto ao que se ouvia na era Sinomar Naves. “Eu vi que precisa melhorar muito ainda”, resumiu Flávio.
O técnico mandou a campo praticamente a mesma equipe dos últimos jogos feitos no primeiro turno do Campeonato Paraense. Porém, fez drásticas mudanças no setor de meio-campo: em vez de três volantes, jogou apenas com dois, Allan Perteson e Adenísio; o garoto Jhonata ganhou vez na meiuca ao lado de Rodrigo Ayres, o atacante que quase foi embora essa semana.
As mudanças surtiram efeito logo no início. Já aos nove minutos, o Remo abriu o placar com Fábio Oliveira, de pênalti. Mas, parou por aí. Depois do gol, o Remo criou poucas chances de gol e abusou dos erros de passe e finalização. O desempenho ruim foi bastante criticado pelos poucos torcedores que compareceram ao Baenão. Antes da descida para os vestiários, o próprio Flávio Lopes admitiu. “O time tá muito mal, precisa melhorar muito. Os jogadores estão sem alma”, comentou.
E para tentar elevar esse espírito, Flávio promoveu a entrada de Betinho e Cassiano no meio de campo, no segundo tempo. Deu certo. O time ganhou mais velocidade e conseguiu voltar agressivo.
Em uma dessas investidas, Betinho foi derrubado na entrada da área pelo lado esquerdo. Ele mesmo cobrou e colocou a bola precisamente na cabeça de Diego Barros, que ampliou. Após o gol, Lopes colocou todos os garotos da base em campo. A juventude deu mais fôlego e superioridade, já que o time de Ananindeua não tinha mais forças para reagir. Aí foi só fazer o terceiro, de novo com Diego Barros, para sacramentar a vitória.
Driblar o fator emocional será o desafio
Na sua primeira avaliação, o técnico Flávio Lopes não fez rodeios e deixou claro que a equipe do Remo precisa melhorar muito se quiser ser campeã paraense. Segundo ele, um fator determinante para a equipe não estar jogando bem é emocional. “Esse fator está pesando muito pela forma como a eliminação aconteceu. No primeiro tempo, a equipe estava tensa, errando passes curtos, fazendo ligação direta”, afirmou o treinador.
Para o treinador, a equipe só melhorou pelo cansaço do adversário e a entrada da juventude. “No segundo tempo, por eles (Comercial) terem cansado e eu ter colocado uma equipe mais jovem, fomos superiores”, garantiu Flávio, que também fez uma ressalva. “Não podemos confundir uma equipe amadora, como uma equipe como o Águia de Marabá, por exemplo”, disse.
Por isso, o treinador fez um pedido para torcida. Nas palavras deles, um pedido “injusto, mas coerente”. “Para o torcedor tentar ser um pouquinho mais tranquilo. Nós temos bons jogadores, mas, às vezes, com uma cobrança maior, o cara cai de rendimento, seja experiente ou jovem. Eu entendo as cobranças, mas precisamos ter equilíbrio: não só a parte física e técnica. Precisamos não ser um adversário de nós mesmo”, pediu.
“Falei para os jogadores que não queria ver as qualidades nesse jogo-treino, queria ver os erros e eu vi os erros”, concluiu Lopes.(Diário do Pará)
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