Em pouco mais de um ano e três meses como vice-presidente jurídico do Clube do Remo, Ronaldo Passarinho, juntamente com a sua equipe de advogados, conseguiu reduzir a dívida azulina junto à Justiça do Trabalho em aproximadamente cinco milhões de reais. No entanto, como a diretoria não pagou uma das oito parcelas de um total de R$ 55 mil, resultantes de um acordo feito com o ex-superintendente de futebol Armando Bracalli, o clube está ameaçado de sofrer bloqueios na renda da partida do próximo domingo (25), contra o Paysandu.
Quando a gestão do presidente Sérgio Cabeça assumiu o Leão, em janeiro de 2011, o débito era de aproximadamente R$ 9,5 milhões, mas hoje gira em torno de R$ 4,5 milhões. Porém, se por um lado o vice-presidente jurídico consegue reverter algumas causas, por outro a desorganização ainda é grande na hora de contratar, para o descontentamento de Ronaldo Passarinho, que não tem participação quando um novo acordo é firmado.
Por mês, o Remo tem a obrigação de pagar R$ 100 mil à Justiça para abater a dívida e não sofrer com bloqueios e ameaças de leilão. O prejuízo poderia ser menor se Passarinho fosse acionado no momento da assinatura de um documento para observar as cláusulas contratuais. Em alguns casos, segundo ele, já ocorreu até julgamento à revelia, porque os processos não chegaram ao conhecimento do setor jurídico do clube.
Ronaldo revela que quando a atual administração venceu as eleições presidenciais o compromisso firmado entre eles pregava um trabalho em conjunto, mas não é o que acontece na prática.
“Nunca fui ouvido. Quero deixar claro que nada do futebol passou por mim. Nada!”, dispara. Ainda de acordo com ele, outra decisão tomada pelos atuais diretores tinha como meta suspender as contratações ‘absurdas’. “No primeiro ano, trouxeram o (técnico) Paulo Comelli para cá, que, entre outras coisas, disse não ter gostado do que viu do Leandro Cearense. Por quê? Porque o filho dele era empresário e ele só trazia os jogadores do filho dele”, critica.
O vice-presidente jurídico não conhece pessoalmente o atual treinador, Flávio Lopes, mas o elogia por ter aproveitado os jogadores da base, que são, na análise dele, a solução para tirar o Remo da crise, ao contrário de outros que passaram pelo Baenão sem sucesso e ainda entraram com ação judicial contra o Remo, como Finazzi, que teria recebido R$ 85 mil, mas não assinou nenhum recibo e, por isso, processou o clube. “Se continuarem fazendo besteira, a dívida não vai acabar e o Remo vai perder patrimônios”, avisa. (Diário do Pará)
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