No próximo domingo (25), será o segundo Re-Pa do Parazão edição 100. Com ele, lá se vão 711 Re-Pas. Muitas histórias, belos gols, partidas inesquecíveis. Na história do futebol paraense, o maior clássico da região norte do País tem espaço cativo. Na carreira de qualquer jogador também. No campeonato desse ano, dois atuais treinadores de times do interior já estiveram em campo defendo as cores de Remo e Paysandu: Cacaio e Charles Guerreiro.
Além da opção pela carreira de treinador, entre Cacaio e Charles Guerreiro existem mais coisas em comum. Apesar dos dois terem atuado por pelo menos um Estadual defendendo as cores do Clube do Remo, foi vestindo a camisa do Paysandu que eles garantem ter participado do Re-Pa mais marcante de suas vidas.
Cacaio, técnico do Cametá, mesmo sendo um dos grandes ídolos da história do Papão, ganhou um Parazão somente com a camisa do Leão, em 1993. Mas, com a camisa bicolor, ele garante ter vivido o clássico mais emocionante em 1991.
Enquanto isso, três taças da coleção de Charles Guerreiro são alvicelestes: 1985, 1987 e 2000.
Quer saber o que mais essas figuras conhecidas da torcida paraense acham do clássico Rei da Amazônia e quais foram os momentos inesquecíveis que eles elegeram para você, leitor do Bola? Então acompanhe o especial que preparamos a seguir.
Charles: “Re-Pa é emoção sem igual”
Há praticamente 10 anos trabalhando como técnico, Charles Guerreiro, ainda consegue lembrar-se do primeiro ano da carreira de 17 anos de jogador profissional. Tudo graças ao Re-Pa.
“Fui campeão paraense pela primeira vez em um Re-Pa. Ainda fui eleito o craque do jogo e do ano. Isso é muito marcante, não tem como esquecer assim”, garante o atual técnico do São Raimundo, de Santarém.
Guerreiro se refere ao ano de 1985. Ele havia acabado de sair das categorias de base e, como todo jovem, estava ansioso para mostrar serviço com a camisa do Paysandu, clube responsável por revelá-lo ao futebol nacional. “Tinha um ano de profissional quando ganhei o título. Jogava até como volante nessa época”, recorda.
Dois anos depois, em mais um clássico decidindo o Estadual, Charles Guerreiro levantou novamente o caneco para os bicolores. “É uma emoção sem igual vencer uma final dessa. Duas vezes seguidas, praticamente. Para quem era jovem como eu, então....”, descreve o ex-jogador.
Na opinião do treinador, os Re-Pas de hoje em dia se tornaram mais de pegadas e de pouca técnica. “Hoje é muita velocidade, correria, pegada”, analisa.
Para Charles, há carência de craques que possam brilhar em um Re-Pa. “Naquela época tinha, mas agora não tem um jogador diferenciado, que você olha e diz: ‘Esse aí dá para jogar no Fla, Santos...”, avalia.
Segurança do Re-Pa será reforçada neste domingo
Como é de costume, A Polícia Militar comandará um grande esquema de segurança para o clássico Remo e Paysandu, que será realizado no próximo domingo, no Estádio Olímpico do Pará, o Mangueirão, a partir das 16h.
Segundo a assessoria de comunicação da PM, haverá cerca de 800 policiais militares trabalhando no dia do clássico, contabilizando 1.200 homens na segurança e organização do espetáculo como o Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal, Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Companhia de Transporte de Belém (CTBel) e Secretaria Municipal de Economia (Secon), que atua na fiscalização do comércio ambulante, que estarão de prontidão a partir das 8h de domingo.
No dia do jogo, o trânsito será monitorado desde cedo. O acesso da torcida do Paysandu será pela rodovia Transmangueirão, enquanto a torcida do Clube do Remo terá acesso pela rodovia Augusto Montenegro. O portão B-3 do Mangueirão será destinado ao acesso dos ambulantes, a partir das 10h.
Semelhante ao Re-Pa anterior, o anel rodoviário externo do Mangueirão não será ocupado por ambulantes. Os vendedores terão o seu espaço determinado pela Polícia Militar. Desta forma, o tráfego de carros e pedestres fluirá melhor, diminuindo as chances de incidentes.
Cacaio não esquece o Re-Pa que venceu em 1991
Em sua carreira como jogador, Cacaio teve oportunidade de atuar em quatro Re-Pas: dois pelo Clube do Remo e dois pelo Paysandu. Pelo Leão, o ex-jogador conseguiu o feito mais alto, o título de Campeão Paraense de 1993. Contudo, para o atual treinador do Cametá, o clássico de 1991 foi mais especial. Não teve título.Porém, a auto-afirmação em 91 compensou. Cacaio já vestia a camisa do Paysandu, o time em que ele viria a se consagrar como ídolo daquele mesmo ano com uma conquista ainda mais importante: o Campeonato Brasileiro da série B.
“O melhor Re-Pa da minha vida foi em que ganhamos o Remo em 91. Era fase classificatória e o Remo tinha um timaço. Ganhamos por 3 a 0 e fiz dois gols. Era jogo de grandeza” , lembra Cacaio. Mas, ele garante que, no maior clássico do Amazônia, teve bons momentos nos dois clubes protagonistas. “Tive a felicidade de fazer gols pelos dois lados”, conta.
Para Cacaio, a atual situação dos dois maiores clubes do Estado faz com que os clássicos de hoje sejam inferiores ao do passado. “Acho que antigamente era mais disputado e emocionante. Até pela situação dos clubes, que estavam em melhores divisões. Hoje, as duas (agremiações) estão em situação difícil. Acho que isso que mudou. Um jogo que nem esse (de domingo), valendo liderança, certamente era casa cheia. Hoje, não sabemos se será assim”, analisa.
Contudo, nada que tire o brilho do Re-Pa. “É tudo que o jogador quer. É sonho de qualquer um. Mas, é preciso estar bem preparado, porque pode te colocar lá em cima ou lá em baixo. Mas, hoje, a gente assiste a molecada indo muito bem. Torço que esses bons valores despontem para a torcida no clássico”. (Diário do Pará)
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