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Treinador bicolor vê Copa do Brasil com bons olhos

Depois da fatídica derrota para o São Francisco por 3 a 0, dentro da Curuzu, que culminou na saída do técnico Nad, Lecheva assumiu o comando bicolor. Pairavam dúvidas. Mas ele vem somando bons resultados até o jogo de ontem, entre eles a inédita classific

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Depois da fatídica derrota para o São Francisco por 3 a 0, dentro da Curuzu, que culminou na saída do técnico Nad, Lecheva assumiu o comando bicolor. Pairavam dúvidas. Mas ele vem somando bons resultados até o jogo de ontem, entre eles a inédita classificação à terceira fase na Copa do Brasil, ao longo de pouco mais de um mês de trabalho, já que foi efetivado no dia 5 de março. A reportagem conversou com o atual treinador bicolor.

Bola: Lecheva, qual é o saldo que analisas no comando do Paysandu desde o dia 5 de março até hoje?
Lecheva: Um pouco mais de um mês no comando da equipe, saldo mais positivo que esse era pedir demais e estou muito feliz pelo momento que estou vivendo aqui, tanto resgatar um futebol alegre que nos consagrou há algumas décadas atrás e fico feliz por ter essa parcela de
contribuição.

Bola: Quando foste anunciado como o novo técnico do Paysandu, de forma interina, declaraste que nos teus planos aquele ainda não era o momento de assumir uma equipe e que estava ali para ajudar o Paysandu. Ao mesmo tempo ponderaste que no futebol não tem momento certo e por isso as coisas poderiam te levar as outras observações. Como você se enxerga como treinador hoje?
Lecheva: A questão não era nem preparação. Eu tinha alguns projetos pessoais que eu preferia terminar antes de entrar de cabeça nessa carreira de treinador, mas nunca coloquei que não estava preparado, muito pelo contrário, sempre coloquei que estou preparado desde quando eu parei, pela experiência dentro de campo e pelo o que eu vinha estudando e me aplicando mesmo quando eu jogava. E ainda tive tempo, depois que eu parei, para fazer cursos e conversando com vários treinadores. Então, a questão de estar preparado, para mim, nunca foi uma dúvida, sempre foi uma certeza.

Bola: Se o presidente Luiz Omar Pinheiro te convidar para uma reunião em sua sala e perguntar “Vamos juntos para a Série C?”, qual seria a sua resposta?
Lecheva: Sim. Já assumi essa responsabilidade, a gente está até trabalhando em cima disso, temos conversas adiantadas sobre o Brasileiro, mas sabemos que ainda temos duas competições importantes em andamento e, por isso, estamos focados nelas.

Bola: Você teme acontecer com você o que aconteceu com Charles Guerreiro em 2010?
Lecheva: Não tenho temor nenhum! Se um treinador começar uma carreira temendo isso, é melhor nem começar, porque qualquer treinador está sujeito a isso, tendo identificação com o clube ou não. E, particularmente, falar do Charles é muito difícil para mim, pois é um cara que eu tenho uma admiração enorme, não só como profissional, mas como pessoa. Eu sempre coloquei isso aqui, eu acho que o trabalho dele merecia uma continuidade, não era para ter sido feito a troca, naquele momento, por um jogo, até porque se formos analisar, até a partida anterior, o nome do Charles era uma unanimidade aqui. Então, a gente vinha fazendo um trabalho muito bom aqui e, infelizmente, veio aquele jogo (contra o Salgueiro, eliminação bicolor na série B de 2010).

Bola: Lecheva, acreditas que ainda existe aquele velho preconceito de treinadores criado na região?
Lecheva: É interessante esta pergunta, porque quando estava quase assumindo, e até depois, quando os resultados começaram a vir, perguntaram muito se eu seria o treinador, se eu seria interino e se eu estava pronto. Aí eu perguntei para um repórter o que um treinador precisaria ter para ser considerado, realmente considerado um treinador, daí ele não soube responder. Então, eu acho que isso é uma bobagem. Para fora, não existe essa diferença, mas aqui no Pará tem. Fico triste quando ouço um comentário sobre isso. Eu espero que isso não aconteça comigo.

(Diário do Pará)

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