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ESPORTE PARÁ

Azulão não quer ser alvo de chacota

O Águia de Marabá está à véspera de iniciar mais uma decisão e o clima é de otimismo na região Sudeste do Pará. Os torcedores estão empolgados com o seu representante no Campeonato Paraense, mas não conseguem deixar de lado uma desconfiança que carregam h

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O Águia de Marabá está à véspera de iniciar mais uma decisão e o clima é de otimismo na região Sudeste do Pará. Os torcedores estão empolgados com o seu representante no Campeonato Paraense, mas não conseguem deixar de lado uma desconfiança que carregam há vários anos. Será que o time vai nadar, nadar e morrer na praia de novo? No elenco do Azulão, o pensamento é outro. Nada vai atrapalhar os objetivos do clube.

Para o técnico João Galvão, o Águia já avançou bastante, principalmente nos últimos cinco anos, quando teve bons motivos para comemorar. Porém, ele não esconde que fica inquieto com o estigma de vice e acredita que essa fama de time do quase tem que acabar.

No ano passado, o Independente conseguiu quebrar o tabu que perdurava todo o centenário do Parazão, tornando-se a primeira equipe do interior a conquistar o título estadual. O Águia teve duas oportunidades para levantar a Taça Açaí, uma em 2008, quando perdeu para o Remo, e a outra em 2010, quando deixou o título escapar para o Paysandu. Como o tabu com os times do interior já caiu, o Azulão agora precisar quebrar as suas próprias barreiras.

Este ano, o time marabaense voltou a bater na trave perdendo o título da Taça Cidade de Belém para o Cametá. A perseguição do quase também se estende à Série C do Campeonato Brasileiro, quando por duas vezes, o clube ficou muito próximo de conquistar o acesso à segunda divisão. Em 2009, precisava apenas de um gol e no ano seguinte morreu na beira após esbarrar no ABC (RN).
Após mais um tropeço neste Parazão, o Azulão se recuperou e também conseguiu chegar à final da Taça Estado do Pará. Será mais um passo que o time de Marabá precisa dar para conseguir finalmente ser campeão paraense.

O torcedor aguiano também não aceita outro desfecho da história que não seja o título. “Somos algumas vezes motivos de chacota, pois conseguimos chegar, mas nunca levar. Sabemos que o clube ainda precisa crescer muito, mas já tem plenas condições de assumir o posto de melhor do Parazão”, afirma o assistente administrativo Lucas Batista, que confirma presença no jogo de hoje.

“VOU PEDIR PERDÃO”

Passado mais de dois meses da confusão no Zinho Oliveira envolvendo jogadores, diretoria e comissão técnica de Remo e Águia, Marabá volta a receber uma decisão entre as equipes. Confirmado para a partida de hoje, Alexandre Carioca vai reencontrar o lateral Aldivan após agredi-lo com um monopé de máquina fotográfica.

Após ter agredido Aldivan no dia 12 de fevereiro, Carioca foi conduzido à delegacia de polícia, mas pediu desculpas e acabou se livrando de uma queixa policial. O volante aguiano contou que, após o incidente, não teve mais contato com Aldivan, por isso se diz ansioso e até nervoso para reencontrar o jogador remista. “Está passando muita coisa pela minha cabeça. Esperava esse momento chegar para me desculpar pessoalmente após a poeira ter baixado. Ele me falou que tinha dúvida da nossa amizade ainda na delegacia, mas tentei explicar que estava cego quando fiz aquilo”.

Carioca acredita que está pagando merecidamente um preço alto pela atitude impensada. Ele afirmou que até hoje sofre represália por conta da sua atitude, sendo inclusive chamado de bandido. “Sou um jogador que chega duro nas marcações, mas não sou violento, tanto que conto nos dedos quantas vezes já fui expulso na minha carreira. Como outro ser humano, cometo erros, mas garanto que me arrependi profundamente”.

O volante afirmou que espera ganhar o perdão de Aldivan e ainda se redimir com a torcida do Remo. A desavença parece ter sido superada pelas equipes, pois elas se portaram bem quando se reencontraram no Zinho Oliveira após o episódio fatídico, na primeira rodada do segundo turno. Porém, durante reunião realizada na quinta-feira para tratar do esquema de segurança da partida, foi pedida atenção redobrada ao policiamento, inclusive na área do campo.

Assim como Alexandre Carioca, o preparador físico Roberto Ramalho e goleiro Miro também foram condenados pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) por terem agredido remistas na semifinal da Taça Cidade de Belém. Porém, liberados por um efeito suspensivo, eles marcarão presença no duelo de hoje.

GALVÃO ESQUECE APELIDO DE BOCUDO

Engana-se quem pensa que jogadores e comissão técnica do Águia de Marabá ficaram mais tranquilos ao verem na quinta-feira o Remo sendo goleado pelo Bahia pelo placar de 4 a 1. Apesar do desgaste do elenco remista, após a eliminação da Copa do Brasil, o técnico João Galvão não espera encarar um rival abatido na final do returno do Parazão. Segundo ele, o “Remo não está morto”.

Galvão acredita que os remistas virão ainda mais fortes, uma vez que a decisão da Taça Estado do Pará pode representar a última cartada do time no ano. “Eles virão com a atenção triplicada, então temos que nos espertar também, pois sabemos que não será fácil”.

O comandante marabaense acompanhou pela televisão a partida entre Bahia e Remo, quando aproveitou para estudar o rival. Ele verifica a melhor forma de aproveitar o aparente momento de fragilidade do time da capital do Estado.

Ainda mexidos com a eliminação na Copa do Brasil, os remistas devem querer dar um retorno para a sua torcida, por isso Galvão acredita que mesmo jogando fora de casa eles vão querer partir ao ataque. “Precisamos ter paciência para trabalhar bem a bola, e aproveitar que o Remo pode estar mais desgastado por conta do jogo tenso contra o Bahia”.

Galvão quer fazer o dever de casa e abrir vantagem na primeira partida da final do returno para eliminar a vantagem do Remo, que joga por dois resultados iguais. Para alcançar esse objetivo ele deve apresentar apenas uma mudança na equipe, por conta da saída de Marquinhos, que está suspenso. O meia Diego Biro está confirmado para assumir o meio campo.

EXPLORAR A TÁTICA DO VELHO ZINHO

O reduzido campo do Zinho Oliveira não é visto com bons olhos por outros clubes, mas jogando nele o Águia de Marabá literalmente se sente em casa. Acostumado a treinar no seu estádio e ainda com pressão da torcida que acompanha bem de perto o jogo, o Azulão arma um alçapão para receber os seus rivais. As bolas paradas continuam sendo as melhores opções para chegar ao gol.

Quando se fala em cobranças de falta quem comanda as ações no Azulão é o meia Flamel. Por sua vez, a referência em cabeceio fica com o zagueiro Charles e o atacante Branco, que juntos já marcaram sete gols de cabeça.

Artilheiro do Parazão com 11 gols, Branco conhece muito bem o caminho do gol no Zinho Oliveira. Ele revela que gosta de jogar em casa, apesar do tamanho limitado do campo. “Como o campo é curto, se chega muito mais fácil na grande área, então acabamos recebendo muito cruzamentos, o que aumenta as chances de marcarmos de cabeça, que acaba sendo uma especialidade minha. Neste estadual já fiz quatro de cabeça”.

Por outro lado, alguns clubes já estão acostumados a jogar no Velho Zinho, como é o caso do próprio Remo, que não se intimidou e na última visita aplicou uma goleada de 4 a 1 sobre os donos da casa. Como sabe que também pode ser vítima do campo reduzido, o técnico João Galvão revela que insiste em trabalhos de defesa, principalmente para tirar bolas lançadas na área.

(Diário do Pará)

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