A placa de substituição já havia sido levantada indicando que Jhonnatan, sentido fortes dores nos pés, daria o seu lugar a Alan Pertteson. Mas, um bate-rebate da bola na área quis encontrar esse mesmo pé que pedia para sair. Jhonnatan chutou forte, sem qualquer chance de defesa. O seu último lance no jogo, foi também último lance antes da massa remista começar a cantar ‘é campeão, é campeão’. O gol do camisa 8 mandou para longe um jejum de títulos que já caminhava para o quarto ano. O primeiro depois de três anos e o primeiro como profissional em atuação. Sim, pois, Jhonnatan é Campeão de 2008, mas sem jogar.
“Ganhei medalha e tudo, mas fazia parte só do elenco. Nem para o banco eu ia”, conta ele rindo. Um dia após a conquista do troféu em que ele pôde erguer não somente com as próprias mãos, mas também por ter sido titular em quase todos os jogos, Jhonnatan sentiu o sacrifício. O pé amanheceu inchado. “Mas vai ter que dar para jogar na segunda”, adianta.
Por isso mesmo, o dia após o título foi de repouso na casa da família da namorada. “Isso aí rapaz, falei que quando você fosse titular, ganharíamos”, parabeniza um vizinho erguendo o pôster encartado na edição de ontem do Diário do Pará.
Até o pequeno Gustavo, de 2 anos, sobrinho de sua namorada, consegue encontrar facilmente Jhonnatan no canto direto do pôster. E pensar que no primeiro turno, essa imagem parecia não ter chances de acontecer. Tudo porque o volante não chegava ao menos a ser relacionado pelo antigo técnico Sinomar Naves, que hoje está no Cametá, adversário da grande final do Parazão.
“Na hora do gol, agradeci a Deus pelo momento que vivi. Lembrei da minha família e meus amigos. Mesmo quando não estava jogando, eles sempre me incentivavam a não desistir”, recorda.
Jhonnatan resolver insistir. Deu certo. Fez o gol que decretou o título do segundo turno e deu um grande passo para a vaga na Série D. Por sinal, o seu único gol no campeonato. “No intervalo, conversamos que faltavam os 45 minutos mais importantes de nossas vidas porque estávamos cientes do nosso dever. Procuramos fazer logo o gol e acabar com a vida do Águia”, revela o volante que, antes de sair do gramado, quis deixar a sua marca. E deixou, para a felicidade da nação azulina. (Diário do Pará)
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