Marciano pensou que havia chegado ao seu ápice no ano de 2009. Vestindo a camisa do Icasa (CE), foi um dos grandes responsáveis pelo acesso do time cearense à série B do Campeonato Brasileiro naquele ano. Tornou-se o maior artilheiro do clube, em mais de cem jogos disputados. “Mas, três anos depois, o destino me prega uma surpresa”, confessa ele, sobre a partida do Remo contra o Cametá.
Para falar desse jogo, Marciano mostra-se com o semblante sério. Aliás, o prejuízo do Leão poderia ter sido reduzido ainda no primeiro jogo, se ele mesmo, Marciano, não tivesse desperdiçado um pênalti. Na última sexta-feira, ele não quis treinar as cobranças. O Bola entrevistou o Interplanetário.
BOLA: Na decisão do segundo turno, você entrou para mudar a história da partida participando diretamente dos dois gols. Já no primeiro da final contra o Cametá, também entraste no segundo tempo, mas perdeste um pênalti. Coisas do futebol...
Marciano – O segundo jogo ficou um pouco ofuscado pela perda do pênalti, mas a minha entrada e do Cássio mudou a postura da equipe. É claro que o pênalti zeraria o placar. Mas, independente disso ter acontecido, recentemente, o Messi e o Christiano Ronaldo perderam pênaltis. A diferença deles para mim, além da conta bancaria maior, é que eles não tiveram uma segunda chance, perderam logo no segundo jogo. A confiança é mil e a expectativa é para fazer um ótimo jogo e ser campeão.
BOLA: O que aconteceu antes da cobrança do pênalti e no momento em que a bola foi na trave?
Marciano – É o calor do jogo. Tinha dois jogadores que poderiam bater naquele momento: eu e o Magnum. Na semifinal do primeiro turno, tinha também essa perspectiva, entre eu e Fábio (Olvieira). Eu bati e foi gol. Nesse jogo, Magnum estava um pouco cansando, chegou para mim e disse: ‘Marciano, tô um pouco cansando para bater’. Eu respondi: ‘eu tô tranquilo’. Dois dias depois, tava batendo uma sequência de cinco pênaltis no gol durante o treino. Uma coisa que aprendi é que no futebol você precisa de personalidade e coragem. Repito: estamos tendo a felicidade de ter uma segunda oportunidade.
BOLA: O jogo de hoje, até o momento, é o mais importante do Remo esse ano. O que esse jogo representa para a carreira do Marciano?
Marciano – A vida te prega surpresas. Todo mundo sabe da minha história no meu ex-clube, o Icasa. Sou o maior artilheiro do clube. Em 2009, disputamos um jogo que nos conduziria a um Brasileiro de Série B. Era o meu jogo de número 100. Poderia atingir a marca de maior goleador e subir de serie B. Fiz dois gols e subimos. Até eu falava que não teria um jogo mais importante que esse. Mas, três anos depois, o destino me manda essa: o Remo vem de um jejum de quatro anos, com uma torcida impressionante, carente, com sede de um título. O jogo de hoje vai para o rol das partidas mais importantes da minha vida. E um gol vai ser também um dos mais importantes da carreira.
(Diário do Pará)
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