Quando se chega nessa época do ano, geralmente nos deparamos com propagandas de celulares, roupas, joias e vários produtos que são colocados como “para a mamãe”. Mas, ao contrário dessa lógica consumista, Maria Ruth Garcia Reis pediu aos seus 16 filhos somente um ingresso para a final do Campeonato Paraense. Remista de berço, Dona Ruth se orgulha em dizer que todos os filhos são todos remistas. “Aqui em casa a gente canta os parabéns e depois canta o hino do Remo”, revela. Cercada por fotos de filhos, netos e bisnetos, Ruth Reis tem uma história de vida muito rica e inspiradora.
Hoje, ela tem 78 anos. Quando tinha 49 anos, dona Ruth, que só tinha a terceira série do ensino fundamental, decidiu voltar aos estudos. Por meio do projeto minerva, conseguiu concluir o ensino fundamental e médio, entrou no curso de teologia da Universidade Federal do Pará e passou em primeiro lugar no concurso para professora de religião da Prefeitura de Belém e do Estado do Pará. “É um grande exemplo de vida. Uma mulher que resolveu voltar a estudar aos 49 anos e conseguiu se formar e se tornar professora, que era o sonho dela”, diz um de seus filhos, Luiz Marcos Reis. “Uma mulher que gosta de casa cheia”, foi essa definição dada por seus filhos, Luiz Marcos e Cristina Reis. O fim de semana é uma festa. “Todo fim de semana tem aniversário de filho, neto, bisneto. E quando não tem, ela faz um churrasco só pra reunir a família”, conta Luiz.
Festeira sim, mas sem esquecer um aspecto importante. Ela é uma mulher muito religiosa, Ruth é Ministra da Eucaristia há 30 anos e possui uma imagem de Maria em sua casa, onde ela reza, inclusive, pelo Leão Azul. Ruth afirma que esteve presente em todas as finais que o Leão de Antônio Baena disputou, sempre indo com sua família para o estádio. “Vem gente de Capanema, de Macapá de todo canto pra ver o jogo. Eles dormem por aqui e depois voltam pra casa deles.” Conta Ruth.
Com tantos descendentes remistas, Ruth Reis não conseguiu escapar de ter um neto torcedor do Paysandu, mas a família encara isso com muito bom humor. “A mamãe tem um neto, o André, que é Paysandu. O único descendente da mamãe que é bicolor. O resto é todo remista. Ele sofre muito quando a gente vai para o campo. Quando o remo ganha, a gente embrulha ele na bandeira do Remo e sai correndo aqui na rua. Mas quando o Paysandu ganha, ele não pode fazer muita onda pois aqui só tem remista”, revela Luiz.
Sobre o jogo de hoje, dona Ruth declarou que já está cozinhando a maniçoba para comemoração do dia das mães. “Vai ser maniçoba com Mapará assado!”, avisa Luiz Marcos. (Diário do Pará)
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