A decisão do Campeonato Paraense deste ano tem dois ingredientes a mais que, se somados, tornam a final muito mais atraente aos olhos do torcedor e dos próprios clubes. De um lado o Remo, time da capital, que até antes da primeira partida era o favorito, mesmo sem ganhar uma decisão há três anos. De outro, o Cametá, campeão do primeiro turno e atual preterido, após a vitória de 2 a 1 no primeiro confronto.
Entre os dois, existe um personagem que já fez história no futebol paraense e, caso repita, poderá ou não transmitir um leve sabor de vingança ao derrotar o adversário. Sinomar Naves foi técnico do Remo até fevereiro deste ano. Assumiu um time sem série, mas com esperanças. O resultado não foi o esperado. Em fevereiro, depois de perder a classificação do time para as finais do 1º turno, a diretoria do Remo decidiu demiti-lo. Na saída, sobraram boatos e uma certeza: ele não era bem visto pelo torcedor remista. Não conseguiu sequer da uma cara ao time de Antônio Baena.
Hoje, no Cametá, Naves assumiu uma postura mais madura, de um professor experiente. Entre uma entrevista e outra, ele fala sobre o nervosismo como quem já possui autoridade no assunto e dá dicas de como trabalha. “Controlamos a expectativa até pelo tempo de trabalho em outras situações de decisão. Procuramos passar essa tranquilidade para o nosso jogador para que ele entre sereno, emocionalmente equilibrado, porque na decisão são aspectos fundamentais”, comenta.
Ao ser questionado sobre enfrentar o seu ex-clube, ele encara com bastante naturalidade. “Para mim é normal, não tem resquício nenhum, nenhuma mágoa. Eu respeito muito o Clube do Remo, mas agora estou no Cametá, assim como eu trabalhei lá, estou trabalhando aqui”, destaca, e ainda comenta sobre o motivo de sua saída. “No futebol, trabalha-se com resultados, eu trabalhei lá como em qualquer outro clube, mas os resultados não apareceram. Sendo assim, é normal que o time não fique satisfeito, mas não existe isso de vingança”, garantiu Sinomar.
(Diário do Pará)
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