Ainda na ressaca da conquista do Campeonato Paraense, os jogadores do Cametá usufruem da notoriedade alcançada pelo feito, entre eles está Marcelo Maciel, um jogador rápido, que fez um bom campeonato quando foi acionado, já que não era titular. Maciel foi bem contra a Tuna em uma partida válida pela semifinal do primeiro turno e serviu de arma para o técnico Sinomar Naves desestabilizar a zaga remista no último domingo. Para quem não lembra, o jogo já beirava os 40 minutos, quando o serelepe passou por dois remistas e cruzou, de forma precisa, para Garrinchinha fazer o primeiro gol cametaense do segundo jogo da final. Ontem, o jogador curtiu o seu dia de herói e em sua casa, no bairro de Icoaraci.
No endereço, localizado em uma região simples da Vila Sorriso, a equipe do BOLA foi ao encontro do atacante. “É lá atrás!”, apontou um funcionário de uma oficina para uma pequena passagem estreita beirando um cercadinho de madeira. Ao chegar na residência, uma casa simples de alvenaria inacabada, a esposa oferece água enquanto o anfitrião toma o seu banho.
Já pronto, Maciel se mostra um cara simpático e humilde, fala sobre a idade e o tempo de carreira. “Tenho 25 anos e jogo desde 2006”, lembra. Começou no Paysandu e já ganhou um título paraense. Depois foi para o Remo, em 2008, e novamente foi campeão. Também teve passagens pelo Águia, Noroeste (SP), Guarani (SP), Rio Branco (AC), São José (SP), Sampaio Correa (MA), até chegar ao Cametá. “Eu ia pra outra região, mas o presidente me ligou, conversamos e graças a Deus deu tudo certo”, diz ele, agora tricampeão paraense, referindo-se a Orlando Peixoto, principal dirigente do Cametá.
Atualmente, ele acredita que a fase é uma das melhores da carreira e isso se deu muito pela experiência do técnico e do elenco. “A maioria dos jogadores é experiente, o Ratinho, o Paty, é um grupo muito bom. Cada um foi escolhido a dedo. Quando o Sinomar veio, ele priorizou muito a qualidade do grupo e a parte física, foi um trabalho muito bom que deu confiança”, afirma. Diz ainda que o título veio coroar uma espera de três anos. “Depois de tanto tempo batendo na trave chegou a hora, o nosso time e a população da cidade mereciam”.
Os planos do Cametá para a Série D, segundo ele, ainda estão indefinidos. Alguns jogadores estão de partida, e o elenco deverá sofrer grandes perdas, inclusive ele mesmo diz ter recebido ofertas. “Eu recebi proposta do Icasa (CE), só que o meu empresário verificou algumas coisas lá, e preferimos esperar mais um pouco, ainda é cedo pra falar nisso”, desconversa. Agora ele curte a família. Sem um futuro definido, ele passa o tempo com o filho, Miguel, de 8 meses, e a mulher Letícia. “Ela é a minha maior cobrança. Quando eu jogo mal ela me cobra”.
(Diário do Pará)
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