Como uma bola de neve que vai crescendo, o Campeonato Paraense perdeu a hegemonia da capital para dar lugar ao interior, que, apesar de todos os problemas, supera seus adversários mais tradicionais. A grande questão para definir essa mudança na balança de poder futebolístico é saber se isso se deve aos deméritos dos grandes clubes ou aos méritos das equipes menores. Talvez uma combinação entre os dois fatores.
Do lado em ascensão, o atacante do Cametá Marcelo Maciel não vê a queda dos times da capital, apenas o crescimento do interior na competição. “Acho que os times da capital não estão caindo de nível, são os do interior que estão cada vez mais se fortalecendo e o campeonato, a cada ano que passa, vai ficando melhor, mais emocionante. A prova disso foi a final de domingo. Depois de três anos batendo na trave, o Cametá conseguiu esse título, a população da cidade estava ansiosa e, graças a Deus, a gente conseguiu”.
A opinião do lado de quem teve o poder diminuído complementa a situação. O ex-técnico do Paysandu, Lecheva, que foi jogador da equipe durante o período de glórias, no qual o clube foi campeão da Copa dos Campeões e disputou a Copa Libertadores, diz que o crescimento do interior era inevitável. “Os times do interior estão investindo, algo que antes não existia. Trazendo jogadores de fora, comissão técnica de fora. Isso ia acontecer uma hora ou outra”.
Fazendo uma comparação entre a época em que jogou e a atual fase do Paysandu, o ex-técnico do clube acha que existem erros na gestão. “Naquela época, teve um planejamento, o Givanildo chegou e se manteve por um bom tempo. O Paysandu manteve uma base de jogadores por três anos. O Paysandu tá tentando retomar isso pra Série C desse ano”, revela.
(Diário do Pará)
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