Há uma semana no Paysandu, o técnico Roberval Davino segue tentando implantar sua filosofia de trabalho, exigindo entrega total dos atletas durante os treinamentos e orientando-os sobre movimentação e posicionamentos situacionais de jogo.
Os jogadores têm correspondido às intenções do treinador, observando e ouvindo bem atentos todas as instruções que Davino passa quando paralisa um lance.
Vindo do Catanduvense (SP) sem ter muito conhecimento do que encontraria na Curuzu – para dizer que não veio zerado, Roberval disse que assistira as duas partidas do Papão contra o Coritiba (PR) –, o comandante bicolor passou a conhecer um pouco mais as características de cada atleta e agora pretende deixar o Bicola com o jeito “Davino” de atuar, sem mudar o estilo de jogo da equipe. “É um time rápido, leve e com jogadores ágeis. Não podemos perder isso, mas também precisamos dar toque e posse de bola”, observa. Mas, quem acompanha os treinamentos no campo do Kasa, percebeu que houve uma mudança drástica na formação da equipe. Vanderson, Neto, Fabinho e Billy, quatro volantes, vêm sendo os responsáveis pela marcação e criação no meio-campo. E no ataque, a mudança também foi grande. O atacante Adriano Magrão, homem de referência, foi sacado e Roberval Davino adiantou os meias Harison e Thiago Potiguar para frente.
Observando atentamente o comportamento da equipe jogando, o volante Vanderson recua um pouco. Ele faz papel de terceiro zagueiro, liberando a subida dos laterais, permitindo que o time vá ao ataque com no mínimo quatro jogadores, configurando o esquema 3-5-2.
Porém, Roberval Davino declarou que o esquema permanece no tradicional 4-4-2, mas variando para o 3-4-3, com o Yago Pikachu se lançando ao ataque. “Normalmente eu gosto de ter dois sistemas quase que permanentes e algumas alternativas. Mas o principal é que estamos fazendo nos treinamentos o plano de jogo, a velocidade, a retenção da posse de bola, criar alternativas de variações e aproximação de jogadores”, explica.
É quase um carrossel bicolor...
Para suprir algumas carências no plantel, o técnico do Paysandu, Roberval Davino, vem dando maior variabilidade tática ao grupo, dando novas funções aos jogadores e até improvisando atletas em outras posições, não deixando jogadores em posições pré-definidas e imitando um pouco o carrossel holandês, na Copa de 74.
A improvisação do meio-campista Leandrinho na lateral esquerda até que é plausível, já que o único jogador da posição, Jairinho, está lesionado e o meia atuara na lateral em outras oportunidades em sua carreira. Outro meio-campista improvisado, mas desta vez no ataque, foi Harison.
No estilo de jogo adotado por Roberval Davino, o Papão não tem um centroavante de área, por isso trabalha com Thiago Potiguar e Harison no ataque. “Na verdade eu sou um atacante disfarçado de meia”, brinca. “A gente vai ficar flutuando para fazer essa bola rodar ali no meio, ter maior posse de bola. É mais para ter essa surpresa, com os laterais chegando como atacantes. Mas quando o adversário tem a bola eu fico marcando ali na frente, forçando o erro do adversário”, frisa.
Davino justifica tantas improvisações na equipe. “É porque, às vezes, acontecem situações dentro da competição nas quais você não tem mais uma substituição, então é necessário trabalhar para que não haja um susto grande, quando acontecer”, disse. (Diário do Pará)
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