Submeter atletas, comissão técnica e diretores a conflitos internos pode acabar mal. O ambiente se torna pesado e isso pode prejudicar o lado emocional dos envolvidos, alimentando o ego e inflamando novos problemas. Especialistas no assunto apontam os riscos que isso traz ao grupo e de que maneira pode afetar o desempenho coletivo.
“Devido às diferentes personalidades existentes em qualquer ambiente de trabalho, além das pressões sofridas, isso gera o conflito entre as pessoas que ocupam posição de comando. São pessoas competitivas, para quem a crítica é vista como algo devastador, portanto, a posse e o apego são forças direcionadas para um prazer metafísico de continuidade do ego”, afirma a psicóloga clínica Bonnie Facioli, especialista em desenvolvimento da potencialidade humana.
No caso azulino, o aparente desentendimento foi causado pela discordância de pensamentos entre o vice-diretor de futebol do Remo, Hamilton Gualberto, e o técnico Flávio Lopes. A solução apontada pelo presidente Sérgio Cabeça foi reunir com as partes e acalmar os ânimos para o bem do clube.
Para a psicóloga, a melhor maneira de administrar situações de conflitos passa pela tranquilidade de ideias e controle emocional. “A melhor maneira de contornar essa situação, seria cada um ter o bom senso de ver o esporte como uma competição saudável, onde nem sempre o que vale é a vitória. Os treinadores fomentam a possibilidade de serem os melhores e a questão de ser “o melhor” depende de variáveis que muitas vezes fogem do controle”, garante Bonnie Facioli.
É cada um no seu quadrado!
No entanto, os problemas internos parecem não ter encontrado espaço entre o elenco. Os atletas garantem que as questões superiores não afetam a relação dentro do grupo e o foco deles tem sido unicamente a preparação para o campeonato.
“Esses problemas não nos afetam. O que acontece extra-campo é problema deles, a gente faz a nossa parte dentro de campo. Temos que focar aqui dentro, quem vai dar o resultado somos nós. Eles resolvem lá fora e a gente aqui”, defende o goleiro Adriano. Para ele os assuntos que envolvem a diretoria não chegam aos jogadores, porque o clube sabe que a preparação do time não pode sofrer baixas.
A mesma opinião é compartilhada pelo atacante Fábio Oliveira. De acordo com o jogador remista, as pendências internas nem passam perto da concentração. “As coisas que acontecem na diretoria não dizem respeito ao jogador, somos empregados. O que acontece lá, eles resolvem lá mesmo. A gente não tem que tomar partido nisso, porque não é do nosso interesse”, garante.
Entre eles a regra é diferente. Preferem dar o exemplo de como agem na resolução de casos internos, sem que haja troca de farpas públicas. “Até porque isso é assunto entre diretores, e eu não sei quem é. Mas entre os jogadores, quando acontece alguma coisa, resolvemos entre a gente. Diretor é diretor e jogador é jogador, cada um faz a sua parte”, define Marcelo Maciel. (Diário do Pará)
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