Ao ver os aplausos da torcida e a consagração de quem disputou uma excelente partida, marcando gol e dando passes, o atacante Cassiano percebeu que estava no caminho certo. Finalmente, ele foi recompensado pela torcida. Autor de um dos gols na vitória de 4 a 2, diante do Penarol, ele foi um dos destaques do jogo ao lado de Edu Chiquita, talvez agora ex-companheiro de reserva.
Antes da chegada de Edson Gaúcho, o atacante, de 22 anos, nunca foi titular absoluto. Veio para o Remo por indicação do técnico Sinomar Naves, que já conhecia o jogador dos tempos de Cametá, posteriormente, Cassiano foi para o o Trem (AP), e, em seguida, ao Leão Azul. “Vim para o Remo, mas muita gente chegava e dizia para mim que eu era jogador de time pequeno, isso me incomodou muito”, lembra.
Em todo esses percurso, o atleta lembra das crises que atravessou na carreira. Nunca perdeu a esperança, contudo. “Eu me deitava e perguntava o que estava acontecendo comigo, fiquei com medo, pois não estava jogando bem, mas graças a Deus, a minha carreira seguiu em frente”, explica sobre o período que esteve no Cametá e no Trem (AP).
Ainda emocionado com o carinho da torcida, Cassiano diz que este foi o melhor momento da carreira. “Ah, eu fiquei muito feliz, nem acreditei que aquilo estava acontecendo. Consegui jogar da maneira que eu gosto. Há quatro anos que o Remo não dá uma glória, quero ajudar eles para mudar essa história”. Acredita.
Nas horas de alegria, acima de tudo, ele fala na família, que ficou em Baldim, interior de Minas, e nos tempos de trabalho na roça. “Eu acordava quatro da manhã e ajudava a cortar cana, tirar leite, roçava, fazia tudo, ajudando meu pai desde criança”, lembra.. “Quando dava umas 10 horas, eu almoçava, tomava banho e ia para Jequitibá. De lá ainda pegava um taxi ia até sete lagoas pra treinar com o juvenil da cidade”. Desde então, o atacante passou por alguns clubes amadores até estrear no profissional, pelo Democrata.
De lá, Cassiano foi para o Atlético Mineiro, sem sucesso, e depois rumou em direção à região norte. Jogou o primeiro Campeonato Paraense pelo Cametá, até seguir para o Trem (AP), onde se desentendeu com a diretoria e veio para o Remo. “Aqui eu fiquei e espero ajudar muito o Clube do Remo. Quando lembro da minha família na roça, me dá vontade de chorar, e por ela estou aqui”, termina.
(Diário do Pará)
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