A palavra de ordem é esquecer. Apagar totalmente o fracasso ocorrido no início da semana para o Fortaleza, dentro de casa, erguer a cabeça e partir para cima do Santa Cruz, em Recife. É com este sentimento que o elenco do Paysandu Sport Club embarcou para Pernambuco.
O técnico Roberval Davino tem o desfalque do lateral Yago Pikachu, o volante Ricardo Capanema e o meio-campista Leandrinho, três jogadores fundamentais para que o sistema de jogo adotado pelo treinador tenha consistência. Mas os substitutos desses atletas estão ávidos por jogar e mostrar serviço e é nisto que Davino se agarra para elevar a moral do grupo e tentar retornar do Estádio do Arruda com pelo menos um ponto.
Pelo lado pernambucano, a vitória sobre o Treze (PB) na rodada passada motivou o clube. Com dois empates e uma vitória, o Tricolor está invicto na competição, assim como o cearense Icasa, líder do Grupo A com sete pontos. O discurso da comissão técnica do Mais Querido, assim como o dos jogadores, é de ter muito respeito ao Paysandu, tanto pela equipe atual quanto pelo peso da camisa bicolor no futebol brasileiro. Só que, ao mesmo tempo, não podem ficar acomodados pelo simples fato de estar jogando em casa, para um público que deve chegar a 50 mil torcedores. Por isso, a regra é ficar atento para a velocidade dos alas alviazuis e não dar espaço dentro da área ao centroavante Kiros, exímio cabeceador.
O Papão vivenciou este mesmo momento do rival de hoje na ocasião da derrota contra o Leão do Pici, segunda-feira passada. Entrou em campo invicto e com o forte apoio do torcedor, mas foi derrotado. Agora é o Santa Cruz que vai com a pompa de favorito e o Bicola como mero azarão, um prato cheio para surpreender o adversário e retornar para Belém com um resultado positivo de Recife.
KIROS ENSINA O CAMINHO DAS PEDRAS
Assim como o Paysandu, o Santa Cruz é uma tradicional equipe do futebol brasileiro e, por isso, ao lado do Fortaleza, está credenciada a ocupar uma das quatro vagas que qualificam os times para a segunda fase da Série C. Então, toda ajuda sobre informações do estilo de jogo e características dos jogadores é válida. E o atacante Kiros é o cara certo para ser esse “espião”.
Vindo do Porto (PE) e com passagem pelo Santa Cruz em 2011, Kiros sabe da força que o adversário tem jogado no Arruda. “Dentro do Arruda, todas as vezes que joguei contra eles lá, perdi”, diz o jogador, informando que foram dois jogos no Arruda e duas derrotas. Entretanto, a forte pressão que o Santa faz sobre os adversários pode virar e prejudicar os donos da casa. “Lá, quando não faz gol no primeiro tempo, a torcida pega no pé. Se nós impusermos um ritmo forte conseguiremos sair com a vitória”, disse.
O atacante espera também que o árbitro Pablo dos Santos Alves não aceite a pressão que os torcedores farão, pois para Kiros arbitragem ruim basta a que o maranhense Paulo S. Santos Moreira mediou no jogo contra o Leão do Pici na segunda passada. “Eu acho que o árbitro estava perdido dentro de campo, ele não soube administrar bem a partida. Mas estamos tranquilos. Temos que permanecer com a mesma toada, com a marcação forte para chegar em Recife e conquistar a vitória e a liderança, novamente”.
EXPERIÊNCIA A SERVIÇO DO BICOLA
Devido à lesão de Ricardo Capanema, o volante Vanderson será titular contra o Santa Cruz. A última partida do experiente jogador vestindo a camisa bicolor aconteceu no dia 3 de maio, contra o Coritiba, pela Copa do Brasil. Apesar da larga rodagem, Vanderson se diz ansioso na sua estreia na Série C.
“Minha expectativa é muito grande de poder voltar a jogar. Já faz um tempo que não sou titular. Já joguei várias vezes contra o Santa Cruz no Arrudão, eu sei que é difícil, a torcida comparece, mas vamos fazer de tudo pra voltar de lá com os três pontos que perdemos dentro de casa”, diz o jogador.
Como Vanderson, Pablo e Robinho devem iniciar o jogo de logo mais nos lugares de Yago Pikachu e Leandrinho, respectivamente. E todas as vezes que algum atleta sai do banco e ganha a oportunidade de começar jogando quer mostrar serviço para tentar ganhar a vaga. Mas o volante alviazul afirma que usará de sua experiência e liderança para evitar que o excesso de vontade dos companheiros não vire afobação durante a partida. “Eu já passei por isso no início da minha carreira. Quando eu tinha a oportunidade de começar a partida eu tentava mostrar muita coisa que eu não sei. Aconteceu isso com alguns jogadores no jogo contra o Fortaleza, até por conta da empolgação da torcida. Mas tenho certeza que contra o Santa Cruz será diferente porque eu vou pegar no pé de alguns jogadores”, brinca Vanderson.
(BOLA)
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