No dia 17 de julho, o Remo fechou uma importante parceria com a empresa de eventos esportivos Granada Sports e Marketing. O contrato prevê a união entre as partes por quatro anos, período em que a empresa se responsabiliza por agenciar a imagem do clube, ao mesmo tempo em que procura parceiros para fomentar o futebol azulino e alavancar a marca Clube do Remo.
No coquetel de lançamento, que contou com a presença da mídia, diretores do clube, abnegados e o presidente da empresa, Marcio Granada, foram mostradas as propostas e, dentro do apresentado pelo próprio diretor, o clube só teria a crescer. “Vamos fomentar o crescimento do Remo e para isso vamos atrás de investidores, assim como vamos promover uma excursão pela Alemanha, caso o time consiga o acesso para a Série C”, pontua Granada.
Segundo Sérgio Cabeça, “essa parceria se deu em função das dificuldades em encontrar pessoas qualificadas que venham tomar conta do Marketing do Remo. Existe o potencial do clube, então, nós não conseguíamos empresas e profissionais que venham tocar e gerenciar esse setor”, explica o presidente, ressaltando a ausência de riscos para a saúde financeira do clube.
“Foi acordado que eles se responsabilizam em ir atrás de patrocinadores, investidores e eventos, bancando tudo, e como retorno eles teriam 50% do faturamento líquido. Para o clube é um negócio justo, pois eles vão buscar esses parceiros, e nós confiamos. Já confiamos em parcerias erradas, mas dessa vez é diferente, pois não entramos com recursos, só dividimos os resultados”, detalha.
Cabeça também explicou que a ideia partiu da gestão interna. “O interesse partiu da minha pessoa, como presidente. Houve o interesse deles em fazer o amistoso contra o Remo, então eu aceitei e fiz a minha proposta, se eles não gostariam de assumir o marketing do clube”, revela o presidente azulino.
Granada Sports possui tempo de mercado, mas tem algumas pendências
Uma empresa sólida, fundada em 2003, na Alemanha, e com três escritórios em diferentes países. No currículo de mais de 170 eventos esportivos organizados, sendo 90% internacionais. A Granada Sports e Marketing é considerada uma das cinco maiores do segmento e agora aporta em Belém. O belo portfólio apresentado pelo diretor não esconde, porém, alguns assuntos de origem duvidosa.
Logo após a parceria, uma notícia veiculada nas redes sociais dava conta sobre uma suposta dívida da Granada Eventos com o Santos Futebol Clube, que cobra na justiça paulista o valor de R$ 173.453,90, referente à participação num amistoso na cidade de Piracicaba, em 2010 e ainda não quitado. O processo corre na 8ª Vara Cível de Santos sob o número 714/2001.
Além desse, um jogador de nome Genilson Pereira Neves, o Gê, foi a público informar que perdeu R$ 12 mil reais para a Granada, por ter pago o valor para excursionar, sob a promessa do empresário, na Alemanha, com o Zico 10. Na época, no entanto, o atleta se disse enganado pelo empresário e os prometidos jogos não existiram com o clube em questão. Logo após, a Zico 10 disse que processaria a empresa por uso indevido da imagem.
Confiança e respaldo contratual
Ao tomar conhecimento das denúncias, o presidente Sério Cabeça foi categórico ao afirmar desconhecer os casos, e defende o contrato, como mais um que promete alçar o Remo novamente entre os grandes do Brasil. “Não sabíamos disso. Você viu a renda de terça, eles tiveram prejuízo, mas o Remo não teve, porque eles bancaram tudo. Até que me prove ao contrário está tudo certo. Nós temos setor jurídico, o próprio contrato dá pra você tomar esse tipo de postura, mas eu estou apostando, eles são pessoas sérias”, garante o cartola.
Ao final, o presidente explica que não haverá injeção financeira na parte estrutural do clube, cabendo aos novos parceiros, conquistados pela empresa, reforçar a estrutura do Remo, que será acompanhada de perto pelos representantes da Granada em Belém.
“É uma empresa que tem experiência a nível internacional e estamos apostando nela. O Remo não tá investindo, arriscando nada, até porque não temos condições no momento. Então é um meio de dar um estímulo para a empresa que vai investir. O Remo é forte, grande, só que não conseguimos fazer isso sozinhos”, finaliza.
Do lado bicolor, Luiz Omar prega cautela com os contratos
A parceria entre a Granada e o Remo está dando o que falar, mas foi o Paysandu quem iniciou a “Era das Parcerias” neste ano, com o anúncio do acerto com a RC3, empresa de marketing esportivo do jogador Roberto Carlos, e a LA Sports, empresa que gerencia a carreira de jogadores de futebol.
Porém, como cantava o antigo comercial “o tempo passa, o tempo voa...” e o Papão assistiu o rival da Avenida Almirante Barroso firmando uma próspera parceria enquanto os novos investidores do alviazul paraense ainda não foram vistos por aqui para uma formalização contratual oficial.
Para o presidente bicolor Luiz Omar Pinheiro, a cautela tem que estar em primeiro lugar, haja vista algumas experiências vividas por Remo e Paysandu em um passado recente. “Eu acho que por conta de eu não ter me afobado, com relação à parceria, é que eu tenho escapado de uma porção de encrencas no futuro. Você não tem ideia da pressão que eu sofri porque seria o melhor negócio do mundo se Remo e Paysandu assinassem com a GolStore. O Paysandu não assinou e o Remo sim, e o final da parceria maravilhosa que estamos vendo: o Remo ficou com a sua marca totalmente presa à GolStore e dinheiro que é bom não veio”, relembra.
Luiz Omar concorda que uma parceria é o caminho que pode levar o Paysandu a trilhar no caminho das vitórias novamente, mas com tantas tentativas de passarem a perna no futebol paraense, LOP está calejado no assunto e não se deixa levar pela empolgação, estudando direitinho todos os contratos, tanto que o acerto com a LA Sports poderá não acontecer mais. “Eu não posso aceitar parceria unilateral, em que só um lado ganhe. Quando eu cheguei a fechar com a LA, porque eu fechei, foi pelo o que tínhamos acertado em Curitiba. Mas quando eu cheguei aqui o contrato de parceria era outra coisa, então automaticamente eu não assinei”, diz LOP, que informa que as conversas com a LA ainda não terminaram.
“Estamos em processo de equacionar esse problema, porque eu acho que do jeito que propuseram a parceria seria unilateral, e isso não interessa para o Paysandu”, conclui.
(Diário do Pará)
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