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ESPORTE PARÁ

Técnicos dos maiores clubes em posições diferentes

O estudante Paulo Viana, 24 anos, tem apreço pelo técnico Roberval Davino. “Ele (Roberval) deu o maior título ao meu time que eu pude assistir em 107 anos. Tenho muito respeito à pessoa dele”, confessa Paulo, torcedor apaixonado pelas cores do Leão de Ant

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O estudante Paulo Viana, 24 anos, tem apreço pelo técnico Roberval Davino. “Ele (Roberval) deu o maior título ao meu time que eu pude assistir em 107 anos. Tenho muito respeito à pessoa dele”, confessa Paulo, torcedor apaixonado pelas cores do Leão de Antônio Baena. O economista Gustavo Dallo, 32 anos, aprecia o estilho linha dura do treinador Edson Gaúcho. “Acho que o Edson faz a linha de como todos os técnicos que comandam os times daqui deveriam ser: rígido para amenizar o amadorismo que nossos clubes vivem. Acho que ele fez isso no meu time. Queria que ele ainda estivesse”, admite o fanático pelas duas listras que dão tom ao uniforme do Papão da Curuzu.

Mas, o mundo dá voltas. Quem um dia levantou o rival, ou ao menos tentou, pode ser a nova fonte de esperança do outro lado. Em se tratando do mundo do futebol, fica mais fácil. Em 2012, os queridinhos de Baenão e Curuzu atravessaram a Avenida Almirante Barroso. Hoje, Davino tenta exercer a experiência adquirida com o título da Série C, conquistado com a camisa do Leão, para tentar repetir o feito no Papão, o maior rival. “Foi um momento importante na minha vida. Há sete anos, eu estive por aqui e consegui esse objetivo com o Remo. Hoje, espero conseguir também com o Paysandu”, afirma. Edson Gaúcho chegou ao Baenão logo após o primeiro jogo da equipe na Série D, quando o time foi derrotado pelo desconhecido Vilhena (RO). Gaúcho retornava a capital paraense em menos de um ano acumulado da sua segunda passagem pelo Paysandu.

“O torcedor do Paysandu fala ‘olha, eu estou torcendo por você, não pela coisa (Remo), mas por você’. Isso mostra que a maioria da torcida deles apoiam o trabalho, que deixamos bons frutos”, revela Gaúcho. Os amantes da dupla Re-Pa compreendem, sobretudo, o lado profissional dos técnicos. “Acima de tudo, mesmo sendo um queridinho de uma torcida ou outra, o importante é o resultado. E o que importa para as duas torcidas é sair da Série C e Série D”, acredita o estudante bicolor Eduardo Ferreira, de 20 anos. “Cada um teve o seu momento e sabemos que serão sempre chamados pelos dois clubes, porque mostram competência, ética e um belo trabalho dentro campo”, completa Hiran Lobo, torcedor do Paysandu.

O desejo de erguer o futebol do Pará

Dono de uma personalidade enérgica, Edson Gaúcho classifica a oportunidade de trabalhar nos dois times como “motivo de orgulho”. “Você vai num banco, num restaurante, e não é só o torcedor remista que vem falar com a gente, vem também o do Paysandu”, conta o técnico do Remo. O comandante do Papão, Davino, diz regressar à Belém como um “homem melhor”, especialmente pela boa passagem no “vizinho de rua”. “O título no Remo foi o momento final, uma história bonita, como pessoa e profissional. Mas, estão me trazendo por esse profissional que sou. Então, hoje, eu estou mais experiente, mais vivido, desejando a exercer a minha profissão melhor ainda”, garante.

Entre eles, além da coincidência de treinarem os maiores do futebol do norte do país, está a vontade de elevar o futebol paraense. “É isso que queremos deixar aqui: um legado positivo, seja em Remo ou em Paysandu, até porque não vamos ficar para sempre, mas os clubes sim”, resume Edson Gaúcho, duas vezes técnico do Papão e, hoje, dando as ordens no Leão.

O “intercâmbio” de treinadores na dupla Re-Pa não é tão comum quanto à troca de jogadores. Ainda mais em se tratando de conseguir passagens marcadas pelo sucesso nos dois times. Na década de 80, um caso emblemático nessa relação, envolvem os treinadores Gerson dos Santos e João Avelino, mais conhecido como 71. Os torcedores mais antigos devem lembrar de Gerson dos Santos, campeão do 1º turno do Campeonato Paraense de 1980 pelo Leão, mas que foi levantar o título da competição pelo Paysandu. Para completar a polêmica da época, João Avelino que era treinador do Papão, foi o escolhido para substituir Gerson no Baenão.

(Diário do Pará)

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