O dia 23 de agosto de 2010 não traz boas lembranças aos azulinos. Nesta data, um dos maiores símbolos do clube foi levado ao chão, numa atitude considerada por muitos como “covarde” e “criminosa”. Mas, para o presidente na época, Amaro Klautau, seria a única salvação para por em prática o plano de vender o Baenão e encher novamente os cofres do Leão, dando início a um mal explicado projeto de modernização, que incluiria um novo estádio para o clube.
O episódio ficou marcado como a derrubada do escudo do Remo, que estava há cerca de 75 anos postado em frente à avenida Almirante Barroso. Desde então, várias foram as chacotas e brincadeiras com o símbolo azulino e até uma bandeira do maior rival já foi pendurada no local. A atitude, à época, provocou revolta nos torcedores, que foram para frente do estádio, com diretores, beneméritos e grandes beneméritos.
Uma longa discussão foi criada para achar um responsável. A diretoria alegava que era preciso vender a área para salvar o clube, atolado em dívidas na justiça civil e trabalhista. Os opositores rebatiam, jamais um símbolo como este poderia ir ao chão. Foi então que vários conselheiros entraram com o pedido de tombamento da área, para evitar a venda, porém, enquanto o visto não saía, na calada da noite, não se sabe como, por falta de testemunhas, o escudo foi derrubado.
Passados quase dois anos do triste episódio, o ex-presidente Amaro Klautau perdeu a tentativa de reeleição e saiu pela porta dos fundos. No entanto, por iniciativa de um torcedor e arquiteto, a pedido da filha, o Leão Azul terá de volta seu escudo, totalmente reconstruído, que será entregue no dia 15 de agosto, data escolhida por marcar a reorganização do Remo. E o melhor, sem custos para as finanças do clube.
Arquiteto diz que atendeu ao pedido da filha
Normalmente o caminho era outro, contudo, um acaso levou o arquiteto Paulo Alves a passar em frente ao estádio. “Eu tenho uma filha pequena e nós passamos na frente do Baenão. Foi quando ela olhou e disse que o símbolo não estava lá. Então eu tentei explicar a história, mas de uma maneira bem simples, até porque ela tem apenas sete anos, é difícil falar de questões internas”, recorda.
“Por que você não constrói?”, disse a pequena Carolina Alves. Pego de surpresa, o arquiteto acabou pensando no assunto e decidiu ajudar o clube do coração por conta própria. “Aquilo me deu um estalo. Na verdade eu nunca me conformei com o que fizeram, então tive a ideia de fazer um resgate nas linhas originais. No entanto, não é fácil porque são poucos registros de foto e é um trabalho árduo de pesquisa para chegar o mais perto da origem”, pondera Paulo Alves.
Em seguida, o arquiteto contatou o presidente do clube e fez a proposta, vista como irrecusável, mesmo com algumas exigências. “Ele perguntou o que eu precisaria e eu disse que é uma doação, vou bancar os custos. Pedi apenas para pintarem todo o muro e o presidente aceitou, dizendo que vai pintar inclusive a arquibancada. Muitos amigos remistas estão ajudando, vários operários. Ao final, todos serão homenageados”, explica Paulo. O projeto e a execução serão bancadas por ele.
Mesmo com todos os esforços, o arquiteto admite a dificuldade em reproduzir o escudo, devido às modificações feitas e a escassez de registros da obra, erguida no estilo Art Déco. “Ele tinha os traços originais, mas já havia sido modificado. O original não é todo branco, o CR é azul. As linhas em si estão preservadas. Talvez não fique 100%, mas tenho certeza de que vamos fazer o mais fiel possível, o Remo merece”, completa.
(BOLA)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar