O Clube do Remo, na tentativa de resgatar a imagem do Filho da Glória e do Triunfo, tem feito uma série de incursões no mundo das parcerias esportivas, de marketing e agora, depois de novas investidas, na sua sede náutica, que tem um significado especial por ser o lugar de origem do Grupo do Remo, como era chamado na época da fundação, composta apenas por praticantes do esporte remo, daí a adaptação seguinte para clube.
A novidade é: o Clube do Remo, até então com dificuldade em bancar as despesas diárias da sede náutica, resolveu alugar o espaço para o prédio ao lado, onde fica o Bar Palafita, que se comprometeu em reformar o prédio por inteiro, preservando as características originais da construção, que remonta no início do século XX. Com o contrato de quatro anos já vigente, o locatário irá usufruir da estrutura do clube, adaptando um salão para ampliar a área do bar.
De acordo com o diretor da sede Náutica, Issa Ayan, o contrato entre Clube do Remo e Bar Palafita veio numa hora mais que oportuna, inclusive foi muito bem recebida pelo presidente Sérgio Cabeça. “Quando mostramos a proposta para o presidente ele ficou muito alegre, pois percebeu que se tratava de uma união favorável às duas partes”, ressalta o diretor, que ao lado do advogado Hermes Tupinambá comanda o esporte náutico azulino.
Issa Ayan prossegue. “Eu aluguei o salão maior da sede náutica para eles, que vão nos pagar uma importância mensal e vão nos ajudar bastante na reforma da casa. Muitas coisas que estavam deterioradas, como o assoalho, que estava podre, será laje. O teto vai ser de PVC, vão abrir uma porta com três metros para unir os prédios. Já nos adiantaram seis meses de aluguel, que nos possibilitou a compra de novos barcos”, comemora.
ARQUITETURA
Mesmo com todas as modificações, o diretor náutico garante que a fachada e os detalhes tombados, ou seja, que não podem ser demolidos ou modificados, serão mantidos dentro dos padrões originais da época. O prédio foi inaugurado no dia 12 de abril de 1925, e está localizado ao lado do complexo arquitetônico Feliz Lusitânia, no bairro da Cidade Velha. O contrato de aluguel tem duração de quatro anos, sendo renovável por mais quatro, e até o final do ano todas as reformas estruturais estarão concluídas.
“De um modo geral, o Palafita assumiu o compromisso de restaurar o prédio e também ficou responsável pela realocação de itens como os banheiros, mantendo a arquitetura original do prédio. Serão obras internas, as externas serão apenas revitalização, como pintura e conserto. Contratamos um engenheiro e um arquiteto para que nada saia errado”, complemente o vice-diretor náutico, Hermes Tupinambá.
O mais curioso é que, segundo Issa Ayan, a ideia do aluguel surgiu por acaso mas trouxe excelentes resultado já a curto prazo. “Certa vez faltou água na sede e de repente chegou o senhor Miguel Pires e este pediu um copo de água. Na minha negativa, com a desculpa de um problema na instalação, ele rapidamente apontou uma solução no encanamento e tudo voltou ao normal. Passados uns dias, eu refleti sobre aquilo e fiz a proposta, sendo atendido de imediato”, recorda o diretor.
Miguel Pires, citado pelo diretor, é tio do proprietário, o oficial da Marinha Mercante Manoel Paulo Pires, e responde direto pelo contrato. “Foi tão bom para o Remo que nos rendeu até um patrocínio nos nossos barcos que nos rende R$ 500,00 por mês”, revela, mas sem dizer quanto fatura com o aluguel do espaço. Valores à parte, a diretoria já festeja os resultados, que refletem de imediato no avanço do esporte. “Vamos partir, se Deus quiser, para o tricampeonato paraense para concretizar essa nova fase no Remo”, termina.
(Diário do Pará)
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