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ESPORTE PARÁ

Eterna reclamação de clubes ganhou reforço

O escritor Nelson Rodrigues, que se estivesse vivo teria completado 100 anos na semana passada, nas suas crônicas dedicadas ao mundo da bola, além de não ter vergonha nenhuma de demonstrar sua paixão pelo Fluminense, tampouco tinha pudores em dizer que go

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O escritor Nelson Rodrigues, que se estivesse vivo teria completado 100 anos na semana passada, nas suas crônicas dedicadas ao mundo da bola, além de não ter vergonha nenhuma de demonstrar sua paixão pelo Fluminense, tampouco tinha pudores em dizer que gostava de um “bom juiz gatuno”. Para ele, as arbitragens ruins davam ao futebol “uma dimensão nova e, se me permitem, shakespeariana. O espetáculo deixa de se resolver em termos chatamente técnicos, táticos e esportivos”. Nelson era a favor que juízes e bandeirinhas errassem de propósito. E quem imaginaria que, em pleno ano de 2012, Nelson, se vivo, estaria se divertido com as lambanças da arbitragem dos últimos tempos: o juiz Antônio Schneider não marcou um pênalti claro em favor do Palmeiras, na derrota do time de Scolari para o Bahia, no dia 26 de julho; mais gritante foi domingo passado, no clássico Santos e Corinthians, quando o bandeirinha Emerson Augusto de Carvalho deixou de marcar três impedimentos em um mesmo lance, que acabou por resultar em gol do Peixe. Mas, quem apareceria como estraga prazer do escritor seria José Maria Marin, atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Essa semana, em virtude dos erros no jogo Corinthians e Santos, Marin fez mudanças drásticas na Comissão Nacional de Arbitragem (Conaf).

De uma só vez, decidiu trocar o comando do órgão – saiu Sérgio Corrêa e entrou Aristeu Leonardo Tavares, mudou o controle nas escalas, o trabalho dos juízes e, segundo ele, irá aumentar o investimento nessa área. Já era tempo para uma atitude ser tomada, afinal, erros de arbitragens já prejudicaram vários times em decisões importantes. Não somente em nível nacional, mas, aqui mesmo, em campos paraenses, já tivemos falhas e até caso de suborno de juízes por parte de dirigentes. Ainda neste ano, por exemplo, na decisão do primeiro turno do Parazão, entre Águia e Cametá, em um lance muito rápido, o trio de arbitragem na ocasião não conseguiu “ver” que a bola ultrapassou a linha do gol, em um chute do meia Flamel, que daria o título aos marabaenses; em outro caso, mais distante, Miguel Pinho, ex-presidente do Paysandu, revelou que o clube bicolor subornou árbitros para conquistar o Campeonato Paraense de 2000 e os Brasileiros da Segunda Divisão de 1991 e 2001.

Afinal de contas, já diria Nelson Rodrigues. “Ladrão está em todos os setores da sociedade. Seria um absurdo o futebol ser limpo, puro”. Será mesmo?Papão coleciona polêmicas quando o assunto é erro de arbitragem...Não pode ser proposital, mas ao longo dos anos que o Paysandu esteve na primeira divisão do Campeonato Brasileiro (2002 a2005) alguns erros de arbitragem prejudicaram o clube paraense. Se não bastassem faltas invertidas, ou até mesmo algumas não marcadas, o impedimento mal marcado deve ter sido um dos piores fardos do Papão até agora.

Para o jornalista e radialista Cláudio Guimarães, da Rádio Clube do Pará, quando equipes do Norte e Nordeste enfrentam times da região Sul e Sudeste, a arbitragem brasileira utiliza pesos diferentes na avalição de alguns lances. “Não digo que há uma má vontade da arbitragem. Mas quando um time do Norte e Nordeste enfrenta um grande clube do futebol brasileiro os árbitros geralmente tendem a errar mais para a equipe de maior expressão”, observa Cláudio, citando dois jogos do Paysandu na Série A de 2005, ano que o time paraense foi rebaixado para a Série B. “Lembro da partida entre Paysandu e Internacional (RS).O jogo estava empatado em 1 a 1 e o lateral esquerdo que veio do Santos, Marcos Aurélio, marcou um gol legítimo, que não foi validado. Daí o Inter marcou o segundo gol e venceu”, recorda. “E teve a partida entre Paysandu e Santos. O Paysandu abriu 2 a 0 e quando marcaria o terceiro gol, erroneamente o Wagner Tardelli, árbitro que o pessoal dizia que ajudava o Paysandu, marcou impedimento.

Daí o Santos virou para 3 a 2”, recorda.Já o repórter setorista do Papão na Rádio Clube, Dinho Menezes, recorda de um erro de arbitragem na estreia do Papão na Série C de 2008, contra o Bacabal (MA). “Aquele jogo foi em Cametá, porque o Paysandu perdeu o mando de jogo. A partida terminou empatada, porque foi marcado um polêmico impedimento no gol do atacante Zé Augusto. Lembro que foi muita confusão, porque apesar do árbitro ter sido de fora, os bandeiras eram daqui e erraram”, lembra.

NO PRESENTE, TUDO AZUL

Já para o atual elenco do Paysandu, até o momento, não houve um erro que determinou uma derrota bicolor no Campeonato Brasileiro da Série C. O que vem incomodando alguns atletas alviazuis é o baixo nível técnico de alguns árbitros, que invertem lances e marcações de faltas durante o jogo.“É difícil falar de um erro claro que tenha nos prejudicado e influenciado no resultado. Às vezes acabam tendo lances que atrapalham ali no jogo, alguns lances que acabam invertendo. Contra o Guarany (CE), em Sobral, o árbitro inverteu alguns lances. Contra o Treze (PB), também. Eu acho que nadúvida eles acabam dando para o time da casa, né?”, diz o zagueiro Fábio Sanches.Assim como o companheiro, o lateral direito Régis, presente em quase todas as partidas do Paysandu nesta Terceira Divisão, ainda não presenciou nenhum erro mais grosseiro até o momento. “Eu, particularmente, não analisei friamente um lance. Mas para mim, as arbitragens estão sendo boas, na medida do possível”, frisa o jogador.Leão recorda “esquema” de rival e gol legítimo anulado

A recente mudança drástica promovida no comando da arbitragem nacional, imposta pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marín, deverá trazer grandes consequências à maneira como árbitros e assistentes se comportam durante os jogos dos campeonatos disputados Brasil à dentro. A atitude, causada por um erro grave no jogo entre Corinthians e Santos, é um exemplo claro de como alguns clubes já foram prejudicados pela arbitragem duvidosa de alguns profissionais. No ano de 2000, o Remo disputava o Campeonato Paraense e vinha fazendo uma boa campanha, no entanto, na fase final, ficou pelo caminho após ser eliminado pelo maior rival. Quem esteve no Mangueirão, naquele dia, deve lembrar que, precisando vencer por dois gols de diferença, o Leão foi para cima em busca do resultado e saiu na frente. No calor da vitória parcial, os azulinos continuaram a pressão, até alcançar o objetivo, Robinho marcou segundo para o orgulho da nação presente no estádio.Contudo, um erro crasso da arbitragem fez o bandeirinha anular o gol legítimo do atacante remista.

Ao final, o Leão saiu do campeonato, abrindo caminho para o Paysandu disputar e vencer a final do Parazão contra o Castanhal. Na época, a manipulação do resultado fazia parte de um esquema com a arbitragem, encabeçada por Miguel Pinho, ex-presidente do Paysandu, que confessou anos depois, na televisão, ter influenciado diretamente não só a conquista deste ano, mas também dos títulos brasileiros do Papão nos anos de 1991 e 2001. Neste Parazão, o árbitro mancomunado com o ex-presidente Miguel Pinho, já falecido, segundo o próprio, era Wagner Tardelli.“O Clube do Remo foi alijado da competição.

Quem estava lá, lembra do episódio. O bandeirinha anulou um gol legítimo do Robinho. Agora, ele, o bandeirinha, era nada menos que vizinho de um jogador do Paysandu, e todo mundo soube depois. De vários casos, esse provavelmente é o mais lembrado até hoje pela forma como foi levada pela arbitragem”, relembra o conselheiro, benemérito e historiador azulino, Orlando Ruffeil.João Galvão sempre se estressa... Vítima de equívoco de arbitragem na final do primeiro turno do Parazão desse ano, que poderia lhe render a Taça Cidade de Belém, o Águia de Marabá, sob a ótica do técnico João Galvão, bem diferente de como age dentro decampo, prefere não se aprofundar nas questões de arbitragens. Ele mesmo, que, no Estadual desse ano chegou a partir para cima de juízes ao final de alguns jogos, hoje mais calmo, prefere dizer: “Isso já passou. Só esperamos que cada um faça o seu papel, fazendo um grande trabalho”, comenta João Galvão.Mesmo assim, o treinador do Águia, não deixa de lembrar do jogo contra o Luverdense, em Lucas do Rio Verde, na sétima rodada do Brasileiro da série C. Galvão diz que seu time foi prejudicado em alguns lances, na derrota de 5 a 1 para o time de Mato Grosso. Contudo, não é nada que martele na cabeça de Galvão. “Olho as escalas dos árbitros só por curiosidade mesmo”, confessa.Sobre as mudanças na Conaf, o comandante do Azulão é bem direto. “Todo mundo tem que procurar fazer o seu trabalho da melhor maneira, tanto os times, como os juízes. Se mudou, espero que mude para melhor, com o trabalho deles cada vez mais honesto, para todos saírem ganhando”, pontua.
(Diário do Pará)


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