A missão de vencer o Mixto por três gols de diferença, curiosamente remete à outra situação delicada na história do futebol azulino, e não menos importante, que tem servido como aditivo para o jogo decisivo de domingo. Muito se falou na lembrança precisa do dia 18 de setembro de 2005, quando o Clube do Remo viveu uma situação semelhante, até no placar a ser revertido, e ao final, o Fenônemo Azul comemorou um inédito e histórico Campeonato Brasileiro da Série C.
Naquele ano, sob o comando do técnico Roberval Davino, a agremiação azul marinho passou pela primeira fase da Série C, e na segunda etapa, foi ao encontro do então desconhecido Tocantinópolis (TO). Na primeira partida, o Leão Azul saiu derrotado por 2 a 0, resultado considerado muito difícil de reverter, haja vista a desconfiança da torcida em relação a formação pouco entrosada.
Por sorte, ou ironia do destino, o Remo viu nascer naquele ano uma onda extraordinária de torcedores, que a cada jogo invadiam todas as dependências do Mangueirão, numa média de 30 mil pessoas por jogo. Ali nascia o Fenômeno Azul, como ficou conhecida a torcida remista, que alcançou a maior média de público das três divisões nacionais, superando potências como Corinthians e Flamengo na Série A.
Pois bem, na volta com a obrigação de vencer por dois gols, os donos da casa foram para cima. O primeiro gol saiu dos pés do atacante Capitão e o segundo do meio-campista Emerson, isso no primeiro tempo. Na sequência, logo de cara, Lairson diminui para os visitantes, o que obrigava o Remo a fazer mais dois gols para passar com a diferença de três tentos. Foi quando começou o desespero coletivo no estádio.
E para agravar a situação, o Emerson ainda perdeu um pênalti. O colapso rondava o Mangueirão, até que, por sorte, o zagueiro Magrão resolveu invadir a área do adversário e chutou forte, desviando na barriga do zagueiro e entrando. Já no finalzinho, Osny, de pênalti, completa, Remo 4 a 1. Depois de lá, o resto é história e a taça de campeão veio para Belém.
Quem esteve lá, naquele jogo, vestindo a camisa, relembra com muita emoção os momentos difíceis que o clube viveu, mas totalmente superados pela força de vontade daquele time, um pouco desacreditado no começo, mas vitorioso ao final.
“As lembranças são boas, estádio lotado. 2 a 0 também era um placar muito adverso, mas a gente tinha um time iluminado. O time de 2005 tinha qualidade técnica, passou confiança pra torcida. Eu, Landu, Magrão, Emerson, Osny, pessoas de personalidades. Na hora do pênalti, já tínhamos perdido um, todo mundo se olhava, mas o Osny foi e bateu”, relembra ex-lateral Marquinho Belém, marcado na torcida azulina como “coração de Leão”.
“Não tivemos problemas financeiros, mas eu vejo muita premiação como um quesito contra. O time precisa olhar o jogo, vestir a camisa, só tivemos uma premiação ao final. Eu gosto do Fábio Oliveira, do Diego Barros, são jogadores que têm esse espírito igual ao nosso. O Remo precisa aproveitar esse tempo inicial, porque eles não querem se expor muito, tem que ter calma e aproveitar todas as chances”, prossegue o ex-jogador, que também atuou no Paysandu e hoje é comentarista esportivo. São nessas lembranças guardadas na história do clube que os novos atores se espelham. “Vou me agarrar nas coisas positivas do passado. Em 2005, o Remo passou uma situação semelhante e conseguiu reverter, então, pelo o que a gente criou lá de situações de gols é possível. E se a gente quiser subir realmente esse será o jogo mais difícil”, desabafa o zagueiro Diego Barros.
Certamente, Remo e Tocantinópolis entrou para o hall dos maiores jogos da história do clube, e relembrá-lo é acreditar novamente na esperança da vitória em cima de qualquer adversidade. “Foi um jogo muito emocionante, o Remo precisava reverter um placar como este e acabou sendo campeão da Série C. Vamos pra cima com a mesma disposição e, se Deus quiser, vamos continuar essa história”, acredita o meia Jhonnatan.
(BOLA)
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