A torcida azulina, que pensava já ter esgotado a sua cota de sofrimento, percebeu que tudo que está ruim ainda pode piorar. O Remo até venceu o Mixto (MT), por 2 a 1, ontem, no Mangueirão, mas o resultado não foi suficiente para livrar o clube da eliminação nas oitavas de final da Série D, pois os mato-grossenses haviam vencido a primeira partida por 2 a 0 e ficaram com a vaga.
A princípio o dia dava impressão de que a festa seria paraense. Logo aos dois minutos de jogo, após um cruzamento de Dida, o zagueiro Raphael Andrade subiu mais alto e colocou no canto do goleiro Perereca, 1 a 0. Com o cartão de visitas, entendeu-se que o time continuaria a pressão para resolver a parada logo no primeiro tempo. Mas, aos poucos, o time foi se perdendo diante da falta de articulação do seu meio-campo.
O Remo ainda ensaiou algumas investidas. A primeira com Cassiano, aos 16 minutos, aplicando o “drible de vaca” no zagueiro mixtense, mas ao cruzar a bola passou direto. Enquanto isso, o Carcará da Fronteira apenas assistia o Remo jogar e arriscava, vez ou outra, um contragolpe. O mais perigoso foi aos 22, numa cobrança de falta do meia Robinho, que passou por cima.
Sem mais nenhuma chance real de gol, as duas equipes retornaram para o segundo tempo sem mudanças. Apenas 45 minutos e dois gols separavam o Remo da classificação. Aos 10 minutos, Fábio Oliveira cabeceou a bola no travessão, após escanteio de Dida. Não demorou muito, aos 22, o mesmo atacante remista perseguiu a bola na linha de fundo e cruzou certeiro para Ratinho ampliar, Remo 2 a 0. Festa nas arquibancadas e a sensação de “agora vai”.
Depois, Marcelo Veiga tirou o volante André, machucado no supercílio, e colocou Jhonnatan. O excesso de faltas já prejudicava e era visível o nervosismo do time. Nervosismo que se transformou em desespero aos 34 minutos. Nonato, que acabou com o Remo no primeiro jogo, ganhou uma bola na intermediária, passando por Ávalos, e depois cruzou rasteiro para Ygor marcar o gol. O balde de água fria paralisou a torcida.
Em campo, o time também entrou em choque. Veiga colou Reis no lugar de Ratinho e, somente aos 46, resolveu tirar Cassiano para a entrada de Marcelo Maciel. Não adiantou e, por mais um ano, o Remo passa vergonha dentro de casa e sai da Série D pela porta dos fundos. Agora, é tempo de novo recomeço e esperança de que, dessa vez, a lição tenha sido aprendida pelos dirigentes e que eles incorporem palavras como planejamento e profissionalismo em seus dicionários.
IMATURIDADE
Para Fábio Oliveira, time poderia ter valorizado mais a posse de bola com o 2 a 0 a favor. É hora dos lamentos e das explicações de praxe.
A eliminação inesperada do Clube do Remo pegou todo mundo de surpresa. Não quer dizer que o time entrou em campo já acima do adversário, mas o trabalho desenvolvido até o último coletivo encheu os olhos da torcida e ela veio em peso. Porém, após o fracasso, restou uma dúvida que poucos arriscaram responder com sinceridade: de quem foi a culpa? O primeiro foi o zagueiro Raphael Andrade, autor do primeiro gol. O grandalhão não foi responsável direto pelo gol do Mixto, foi eficiente em boa parte do jogo, mas na hora da explicação, preferiu ser discreto. “Ficamos muito chateados, é uma hora de falar pouco, porque estamos de cabeça quente e pra não falar besteira é melhor ficar calado, mas agora vamos ver o que vai acontecer”, resumiu.
Já o atacante Fábio Oliveira, creditou o fracasso aos erros do passado, novamente responsáveis pela queda azulina. “É difícil, a torcida não quer escutar isso. Mas uma vez no contra-ataque eles fizeram o gol. Onde não podíamos errar nos erramos. O placar tava em 2 a 0. Poderíamos segurar o placar, mas infelizmente aconteceu. Era pra trabalhar a bola, mas a imaturidade do time fez isso”, define o atacante.
Já o técnico Marcelo Veiga pensou por outra variável. Segundo ele, as substituições foram positivas, e a entrada do zagueiro Ávalos, recém-curado de uma lesão muscular, não foi crucial para o fracasso do time, mesmo perdendo a bola para o atacante Nonato, que cruzou para o gol de Ygor. “O Ávalos foi muito bem, apesar de não vir jogando. Usou toda a experiência que tem e desarticulou várias jogadas de ataque. E acho que a saída do André e do Ratinho foram cruciais. O Ávalos teve que sair lá atrás e com a ausência do André, ele precisou sair e isso desestabilizou a defesa”, explica, numa opinião contrária à torcida e a crônica esportiva, desconfiada do zagueiro desde o início e que ao final provou ser uma peça frágil para o contragolpe fatal do Mixto.
(BOLA)
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