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ESPORTE PARÁ

Futebol paraense esquece a glória e vive crise

Se o futebol paraense assumisse conotações literárias, certamente os mais numerosos palpites fariam coro unânime em apoio à tragédia, ou quem sabe, num caminho inverso, a comédia, pois ao final de tudo, o melhor remédio é o famoso ditado “estou rindo para

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Se o futebol paraense assumisse conotações literárias, certamente os mais numerosos palpites fariam coro unânime em apoio à tragédia, ou quem sabe, num caminho inverso, a comédia, pois ao final de tudo, o melhor remédio é o famoso ditado “estou rindo para não chorar”. Nunca na história, clubes que outrora figuraram entre os debutantes do futebol brasileiro passaram a meros aspirantes a figuração, ou, melhor dizendo, quem um dia já foi vitrine em feira literária hoje sofre para traçar algumas míseras linhas.

E não há como engolir facilmente. O Clube do Remo, filho de tantos nomes, tantas glórias, o mais querido, guarda, inexplicavelmente, um único trunfo dos últimos 10 anos, a sua torcida, considerada a maior em média de público de toda a Série D. Em 2005, quando venceu a Série C, tinha uma média de 30 mil torcedores por jogo, um plantel aguerrido e uma chama intensa, capaz de mover o mais frio dos torcedores, daí o Fenômeno Azul. Fora isso, alguns poucos Campeonatos Paraenses que só servem para atiçar a rivalidade com os rivais.

O que falar então de um time que, em um espaço de quatro anos, conquistou um tricampeonato paraense (00/01/02), uma Copa Norte (2002), Copa dos Campeões (2002) e por pouco não conquista as Américas? Se for do gosto da torcida, nem tragédia, nem comédia, talvez a brincadeira. Revertendo a situação, é assim que a Fiel se enxerga; há seis anos na Série C, batendo algumas vezes na porta, mas ferindo a testa ao tentar entrar. Tem sido assim e será assim enquanto o rumo for incerto.

Os dois maiores clubes do Pará estão de mãos dadas, antes na glória, hoje nas derrotas. Apesar da rivalidade, ambos sabem da dependência mútua, um cresce pelo outro e, ao mínimo sinal, a volta por cima aparece. Assim se espera daqui pra frente. Esqueçamos a tragédia, a comédia. A música tem mais a ver com o brasileiro, com a malícia, a malandragem de quem torce com a eterna vontade. Afinal de contas, “quem não sonhou em ser um jogador de futebol”? (Diário do Pará)

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