Em 2001, o Paysandu estava reerguendo o futebol e sob a direção de Arthur Tourinho, recrutou Givanildo Oliveira para comandar o bicola. Deu tudo tão certo que em três anos, o Brasil já era pouco, o time queria mais. Muito mais. Uma campanha audaciosa que começou no Campeonato Paraense de 2001 e terminou em 2003, nas oitavas de final da Taça Libertadores da América, já sob o comando de Dario Pereyra, técnico importado por Tourinho.
“Tínhamos uma base unida desde 2001, então isso contribuiu muito, além disso, todo mundo estava afinado, o Givanildo era um excelente treinador, lutava pelo bem estar do elenco”, completa o atacante Zé Augusto. Já o próprio Giva, campeão da Copa dos Campeões, usa a energia daquela época para tocar o time atual. “Era um grupo mais forte emocionalmente, muito concentrado, e isso deveria ser seguido pelos jogadores de hoje”, pontua Oliveira.
Assim como ele, outro técnico guardado com carinho pela torcida paraense é Roberval Davino, o comandante daquele esquadrão vitorioso, que deu ao Remo o inédito título de Campeão Brasileiro, e mesmo sendo da Série C, representou o auge de uma nação fanática e de um esforço surreal de todos. “O cenário não mudou muito, foi mais a superação dos atletas. Eles se empolgaram, a torcida veio junto, e dentro do campo, todos eles cresceram, não tinha como ser diferente, foi uma conquista na raça e na união”, relata Roberval Davino.
A raça em questão, parece ser unânime e fundamental no processo, não há quem lembre da época sem falar em superação e paixão à instituição Clube do Remo. “Os jogadores tinham amor à camisa. Não tem comparação, a situação era outra. Não tínhamos salários atrasados também, mas o time era formado por pessoas como Capitão, Emerson, Magrão, não se compara, todo mundo vestia a camisa com amor”, sentencia o ex-lateral direito Marquinho Belém.
Depois de um apanhado histórico recheado de glórias, não há como passar em branco a maior contribuição para todo o espetáculo vivido no início dos anos 90 para Remo e Paysandu: a torcida. Nunca na história, azulinos e bicolores foram tão felizes. Torcedores mais saudosistas podem até negar, com o argumento de terem visto onzenas muito superiores, mas negar a glória alcançada nesses anos é no mínimo esquecer o passado.
Em 2005, Feres Kahwage era apenas um estudante de 17 anos, mesmo assim, guarda consigo até hoje todos os ingressos dos jogos na campanha vitoriosa do Leão Azul. Para ele, não houve temporada melhor. “Eu dava um jeito, não perdia jogo de jeito algum. Fui a todos e ao final de todos ia para a Doca comemorar, foi tanta emoção que até me arrepio ao lembrar a época”, garante o advogado trabalhista.
Quem experimentou alguns anos de glória lamenta até hoje a situação da dupla Re-Pa. O Fisioterapeuta Fábio Montenegro, de 26 anos, lembra com perfeição da noite de 15 de maio de 2003. “Nesse dia, Belém passava por uma greve geral dos ônibus, no entanto, jamais vi o Mangueirão tão lotado. A torcida ía de todos os jeitos, de Kombi, caminhão, qualquer veículo que levasse você ao estádio. A festa foi linda, não vencemos, mas fizemos história”, relata Fábio, sobre o jogo de volta entre Paysandu e Boca Juniors, pelas oitavas de final, vencido pelos argentinos por 4 a 2.
Guardadas as devidas proporções, Remo e Paysandu, num intervalo de 10 anos, conseguiram subir ao olimpo da glória, e pouco tempo depois rumaram em direção ao purgatório, numa verdadeira montanha russa, a primeira vista estagnada numa ladeira sem fim. “Naquele tempo”, como diriam os saudosistas, o futebol foi outro. Uma frase até estranha, haja vista que os mesmos possuem estrutura e torcida, basta saber quando é que toda essa riqueza será novamente valorizada. (Diário do Pará)
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