Onde quer que esteja Edson Gaúcho, ele certamente teve momentos de “orelha quente”, na noite da última segunda-feira (24). Na reunião extraordinária do Condel azulino, entre explicações sobre a venda de Reis e a proposta de parceria à Cerpa para a reforma do ginásio Serra Freire, nada chamou mais atenção do que o pedido de explicações do conselheiro Hamilton Gualberto sobre os motivos que levaram Edson Gaúcho a disseminar na rede social Twitter que o diretor Albani Pontes teria sustado três cheques usados para pagamento da rescisão contratual.
A pergunta do conselheiro teve um sentido óbvio: desde as críticas veladas do ex-técnico, o Clube do Remo passou a ser alvo de chacotas na internet, a fama de caloteiro já se espalhava, e outros conselheiros admitiram sentir-se envergonhados de passar pela situação. Em resposta, Sérgio Cabeça levantou o tom da voz, acusando Gaúcho de leviano e disse que defenderia a honra do clube. Em um determinado momento, o benemérito Jones Tavares sugeriu inclusive que o técnico fosse processado. “O nosso departamento jurídico tem plena consciência disso, devemos dar uma resposta à altura”, vociferou Tavares.
APÓS AS AMEAÇAS
Menos de 24 horas depois de soltar na internet que o Clube do Remo teria dado o calote, Edson Gaúcho, misteriosamente, usou a mesma rede para reverter a situação. “Bom dia amigos, hoje conversei com Albany e está tudo resolvido, ainda bem que ele tem palavra do que ele tinha combinado comigo”, soltou. Depois fez alguns elogios à nobre atitude do diretor e ao clube. Parecia prever a retaliação azulina.
Passada a confusão criada, era a vez da resposta da diretoria do Remo, muito mais contundente do que Gaúcho poderia imaginar.
Procurado, Albani Pontes disse ter conversado com o presidente Sérgio Cabeça, sem entender a intenção do ex-técnico em divulgar informações errôneas na internet, com o único intuito nocivo de manchar a reputação do clube, e tão pouco foi procurado antes.
“Ele não me ligou antes e nem atende meus telefonemas agora”, disse o diretor, sem entender o motivo de Gaúcho ter esclarecido a história e não consultá-lo. “Ele está com medo porque os conselheiros querem processá-lo. Estamos conversando com o nosso setor jurídico para tomar as providências. Não entendi o motivo dessas atitudes, honramos o nosso compromisso, mas se for para ser desse jeito, será assim”, admite Albani.
Entre os membros do conselho, é quase unânime o apoio dado à ideia de Jones Tavares em processar o treinador. Outro conselheiro, Antônio Almeida, chegou a lamentar a situação porque, como membro efetivo, estaria “ouvindo achincalho” por parte de pessoas de fora, que inclusive seria uma das causas na baixa no número de presentes nas reuniões do Condel.
(Diário do Pará)
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