Não é difícil encontrar alguém, nos meios azulinos, que seja a favor do pleito direto. O problema é que, se todos são a favor, por que só agora o assunto veio à tona? São questionamentos comuns de torcedores, simpatizantes e da crônica esportiva, diante dos primeiros sinais que surgem de maneira duvidosa.
Um dos maiores defensores da renovação estatutária azulina é o conselheiro Domingos Sávio, um promotor público que comandou uma reforma na carta azulina e apresentou para a apreciação desde a época de Felício Pontes, antecessor de Manoel Ribeiro. “No nosso rival, as eleições já são diretas e isso é pacífico, mas no Remo as coisas são diferentes, não conseguem seguir desta mesma maneira”, acrescenta Domingos.
Só agora, ao apagar das luzes da administração Sérgio Cabeça conseguiu, diante da intervenção direta de Manoel Ribeiro, debater o assunto. “Durante muito tempo se pensou nisso, mas nunca foi levado a discussão dessa maneira. Hoje, os tempos são outros, isso faz parte de um anseio de toda nação remista. Todo mundo quer a renovação, é preciso quebrar essa estrutura vigente, os tempos são outros e as eleições diretas fazem parte dessa nova era do futebol e o Remo não pode ficar de fora”, acrescenta Orlando Ruffeil, benemérito azulino.
Entre diretores, conselheiros, beneméritos e presidenciáveis, o desejo parece caminhar na mesma via, mas a morosidade característica dos duradouros sistemas políticos vigentes nos clubes brasileiros, por si só, já representa um obstáculo a ser ultrapassado com mais sagacidade pelos verdadeiros interessados na democracia de uma entidade encravada como um dos patrimônios imateriais do Estado. O único candidato declarado à presidência do Codir, Roberto Macedo, também declarou ser favorável às eleições diretas.
“Existem três coisas que são patrimônios neste estado, a primeira é o Círio de Nazaré, e as outras duas são Remo e Paysandu”, complementa Ronaldo Passarinho, garantindo total apoio as “Diretas já”. “Fui deputado cinco vezes através das eleições diretas, com o voto do povo, tenho algumas ressalvas, mas sou a favor”, termina Ronaldo.
Condel remista pode ser retalhado na metade
Nas duas últimas reuniões do Conselho Deliberativo do Clube do Remo em que a reportagem do caderno BOLA esteve presente, nos dias 17 e 24 de setembro, o cenário visto nada mais é do que um espelho da realidade de quem faz e acontece no clube. Os números oficiais contrastam com a dura realidade e a falta de prestígio das convocações extraordinárias.
O Clube do Remo tem nos seus quadros, atualmente, um conselho formado por 100 conselheiros, 40 beneméritos e 10 grandes-beneméritos, além da mesa diretora. No entanto, na reunião do dia 17, apenas 32 presentes foram registrados. Já na segunda, o número subiu um pouco mais, batendo em 37 membros efetivos, quantidade nada animadora para quem tem em mãos o futuro de uma entidade com 105 anos de histórias.
Esse desrespeito por parte de muitos conselheiros já desperta na presidência do Condel o interesse em diminuir o quadro, de 100 conselheiros para 50. “A redução do número de conselheiros consta na nova proposta de estatuto, agora, ela precisa ser votada, mas desde já, fica registrado que todos os membros atuais terão seus mandatos encerrados só ao final do ano. De lá, se realmente for aprovado o próximo conselho poderá ter 50 membros”, explica Manoel Ribeiro.
Vale lembrar que, na última reunião, o conselheiro Antônio Almeida chegou inclusive a citar o baixo número de presença com as constantes lambanças que a direção do clube veio cometendo ao longo da temporada. “Não podemos prosseguir nessa situação. As pessoas não sabem o quanto é difícil ser membro do conselho. É por isso que muitos colegas deixam de vir”, disse.
A próxima reunião, marcada para o dia 10 de novembro, terá, além da apreciação da nova carta, a escolha dos 17 beneméritos. Se assim for decidido, em 2013 o Filho da Glória e do Triunfo terá o seu futuro concentrado num número menor de vozes, mas espera-se que a quantidade seja inversamente proporcional à qualidade.
(Diário do Pará)
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