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ESPORTE PARÁ

Faltou amparo psicológico aos jogadores no Leão

Na temporada 2012 do Clube do Remo, a esperança de dias melhores, meses após meses, foi se transformando em desgosto e tristeza a cada novo jogo, a cada nova troca de treinador e, principalmente, a cada nova contratação. Uma farra de mais de 60 jogadores

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Na temporada 2012 do Clube do Remo, a esperança de dias melhores, meses após meses, foi se transformando em desgosto e tristeza a cada novo jogo, a cada nova troca de treinador e, principalmente, a cada nova contratação. Uma farra de mais de 60 jogadores foram contratados, onde, poucos (bem poucos), de fato, fizeram algo em pró do Leão. Para piorar, as fracas contratações, ao longo do Campeonato Paraense até o último dia do Brasileiro, tomaram lugar de quem, no início de 2012, era visto como esperança e apreço do clube: os jogadores das categorias de base.

Tiago Cametá, Igor João, Alex Ruan, Alan Petterson, Betinho, Reis e Jayme. Eram os nomes dos atletas que haviam acabado de sair das categorias de base para disputar o Parazão profissional. Mas, além da disputar com os de fora, outro fator também precisava ser vencido por eles: o emocional. Os anos e anos sem acompanhamento psicológico na base pesavam para quem conviveria com uma torcida ávida por apenas um desejo: ser campeão.

Para uns, esse fator passou meio despercebido. Para outros, no entanto, foi crucial. O meia Betinho, talvez, seja quem melhor ilustra a situação. Apontado por todos como grande promessa, durante o Parazão foi nítido que o meia não conseguia se apresentar bem quando sofria uma pressão mais severa das arquibancadas. Inclusive, chegou a pedir para ficar de fora de algumas partidas. Foi transferido do clube admitindo ter “ficado triste com a torcida e por não ter ninguém para conversar”.

Outro exemplo é o atacante Jayme. No início do ano, era outra grande aposta. Foi muito bem na Copa São Paulo de Juniores, mas não teve sequência. Foi expulso em alguns jogos, demonstrou imaturidade em outros tantos. Para 2013, a pergunta que fica é: Leão, não tá mais do que na hora de levar a sério o trabalho psicológico no clube? Afinal, o cenário no Baenão continua desolador. Será mais um ano em que esses jovens serão deixados de lado para dar lugar aos “importados”?

Trabalhar a parte emocional é fundamental

São todos jogadores muito jovens, com média de 20 anos, mas com uma responsabilidade grande: ajudar o Clube do Remo a sair do marasmo de títulos e alegrias. Nesse momento, o acompanhamento psicológico é fundamental para auxiliar o atleta em busca de seu objetivo. É o que garante Erick Conde, doutor em psicologia do esporte. “É essencial na promoção do equilíbrio e da saúde mental, sem contar que pode auxiliar na formação do caráter e da personalidade do atleta. O esporte, principalmente o futebol, insere os atletas em situações de grande estresse e cobrança excessiva para a idade deles”, expõe Erick.

Até o momento não existem profissionais dessa área atuando dentro da Toca do Leão. Os próprios treinadores que passaram pela equipe e até mesmo os diretores de futebol “quebraram o galho”. Com experiência em clubes como o Flamengo e até na Seleção Brasileira de Judô, Erick destaca que um trabalho psicológico, quase sempre, é o suficiente para ajudar atletas a conseguir recursos para lidar com as condições adversas e situações negativas a que serão submetidos ao longo de uma competição oficial.

“Possivelmente, um profissional especialista em psicologia do esporte auxiliaria esses atletas a obter uma reestruturação cognitiva e ajudaria a lidar com suas emoções de forma apropriada”, explica. Segundo o psicólogo, esse trabalho é feito através de atendimentos individuais, onde o paciente-jogador é submetido a exercícios mentais. “Assistências psicológicas são essenciais para uma estrutura completa de suporte a qualquer atleta”, ressalta.

(Diário do Pará)

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