Às vésperas do primeiro jogo das quartas de finais, o Paysandu realizou um treino leve no local da partida, o estádio Arena do Município Verde, a começar por um aquecimento leve, seguido do popular “rachão”, onde os jogadores revezaram posições, mas sem compromisso tático para o jogo de logo mais. Yago Pikachu e Thiago Potiguar fizeram a vez dos goleiros, Lecheva e o auxiliar Wellington Vero entraram na roda e participaram do jogo aumentando o clima de descontração até o final da manhã.
“A motivação e a alegria tem que vir deles estarem exercendo essa profissão. Você defender uma camisa como a do Paysandu só faz aumentar essa alegria. Olhar para as arquibancadas, ver a manifestação e apoio da torcida, até mesmo nos treinos, essa é a maior motivação que qualquer atleta pode ver”, explica Lecheva.
Nem mesmo a alta temperatura na manhã de Paragominas tirou o tom dos trabalhos, pelo visto a única preocupação que possa surgir de toda estadia no município verde, pode ser o gramado, vítima do próprio calor. “O estado do gramado não é muito bom, mas precisamos superar e fazer dele nosso aliado para fazer um bom jogo e levar a vantagem para o Rio de Janeiro”, opina Kiros. Devido a escassez de chuvas no município, o gramado tomou um aspecto seco.
No mais, a expectativa do elenco é tirar proveito da vantagem de jogar diante da torcida e conter a ânsia de gols do adversário, já devidamente estudada. “Vi alguns vídeos dele na internet. O Macaé em si é um time muito forte nas bolas paradas, então esse é o nosso cuidado. Até ontem, trabalhamos muito nessa situação, o Ronaldo trabalhou bastante na saída de gol pra chegar fazer o certo”, encerra o goleiro João Ricardo.
Do inferno ao paraíso, Kiros só pensa no acesso
A nação bicolor aguarda ansiosamente entrar com o pé direito na disputa por uma vaga na Série B de 2013. Expectativa grande, que ultrapassa a barreira do fanatismo do torcedor e, inevitavelmente, contagia todos os envolvidos, principalmente os jogadores, há exatos quatro meses em viagens, cobranças, alegrias e polêmicas. Um desses a aguardar o desfecho positivo é o atacante Kiros, artilheiro do time, com sete gols e uma sede que não para por ai.
Indicado ao Paysandu pelo ex-técnico Roberval Davino, o pernambucano de 1.95 metros viveu altos e baixos na Curuzu. Agora, ele acredita que, em paz com a torcida e consigo mesmo, consiga deslanchar novamente. “Estou vivendo um bom momento. No começo dei uma caída, mas não abaixei a minha cabeça e continuei treinando firme e forte. Recebi apoio dos treinadores, reagi no momento certo e consegui superar. Hoje os gols saíram, mesmo com todas as cobranças, mas agora é isso, o meu objetivo aqui é ajudar o clube, fico feliz com o momento que estou vivendo”.
A ajuda, no entanto, é uma somatória de fatores. O elenco precisou superar algumas fases indesejadas, mas na reta final, após o empate em 1 a 1 contra o Águia de Marabá, na 14ª rodada, demonstrou uma grandiosidade incomum e aplicou duas goleadas seguidas em casa (5 a 1 no Treze e 4 a 0 no Salgueiro), e um empate fora, que asseguraram a vaga no mata-mata.
“Desde o começo o grupo inteiro vem focado e trabalhando muito por esse momento, mas infelizmente as coisas não fluíram, e de uns tempos para cá, as vitórias e os bons resultados começaram a surgir. Espero muito prosseguir essa boa fase contra o Macaé e ter vantagem lá no Rio”, desabafa o atacante, que vem, inclusive, sonhando com o gol da classificação.
Lecheva prega tranquilidade e atenção
Atento ao adversário que o espera, o técnico Lecheva admite que ainda restam dúvidas sobre a formação do time, que envolvem o setor de meio campo e ataque. “Eu já havia falado ontem (quarta-feira), tenho uma dúvida no meio campo e no ataque, pra início de partida, mas a base é a mesma dos últimos jogos”, relembra o técnico, consciente sobre a importância do trabalho pré-jogo.
Lecheva não isenta, no fim das contas, a dedicação integral do elenco para superar eventuais imprevistos na maneira como o adversário se porta em campo. “Fora de campo você faz o que pode antes das partidas. Você tenta preparar a equipe da melhor maneira possível conforme o adversário, você até passa orientações durante o jogo, mas nós sabemos que tudo vai ficar 90%, a cargo dos jogadores ali dentro do jogo. O sentimento é diferente, mas a importância é a mesma”, acredita Lecheva.
Apesar disso, o técnico não tem medido esforços para proporcionar aos atletas a oportunidade de conhecer o adversário. “O jogador não tem muito esse gosto de assistir vídeo de adversários, isso cabe mais ao treinador. Eu vim a viagem toda assistindo, ontem a noite também fiquei analisando. Nós vamos orientar os pontos fortes e fracos, mas é como eu falei, as vezes a teoria cai por terra. Mesmo assim, vamos tentar anular os pontos fortes e explorar os fracos”, completa o técnico.
(Diário do Pará)
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