O mercado do Ver- o- peso, além de ser conhecido como cartão postal de Belém, é um cenário preferido de algumas “figuras”. Pelo local, passam pessoas de todos os gêneros, raças, idades, credos e times. Após a subida do Paysandu para Série B do Campeonato Brasileiro, não foi fácil localizar os remistas da feira.
“O pessoal do Remo tá escondido!”, acusou o vendedor de pimenta, Manoel Santos. “É porque nós saímos da 3ª divisão. Fomos como terceira e voltamos na segunda”, afirma. Apesar das piadinhas, Manoel diz que ‘o clima é bom’ no mercado. Os feirantes organizaram uma festinha no início da manhã de ontem para comemorar o sucesso do Paysandu na Série C, mas alguns convidados faltaram. “Cheguei tarde aqui, tava comemorando em casa com uns amigos”, justificou o feirante Lucivaldo Batista dos Santos, 41 anos.
Habitualmente, ele chega às 6h, mas os festejos pelo acesso do Paysandu não permitiram que Lucivaldo cumprisse o horário. “Hoje cheguei às 10h”, contou. Agora, segundo ele, resta aos remistas aceitar. “Vão ter que aceitar, mesmo que não queiram. Não temos culpa se o time deles tá lá embaixo”, alfinetou.
Para o beneficiário Francisco Barbosa, 67 anos, que foi ao Ver- o- peso fazer compras, o sumiço dos leoninos se resume a um problema auditivo. “Os secadores estão surdos, tiveram que ouvir o desabafo de seis anos”. Já o feirante Manoel Santos, 77, está preocupado com o futuro bicolor. “Espero que formem um time bom, porque se não, vamos voltar pra Série C”, alerta. Ele define o atual elenco do Papão como time de operário e lutador. Mas considera que a equipe tem que passar por uma reformulação, para entrar nos moldes dos grupos que compõem a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro.
O torcedor, que trabalha no Ver- o- peso desde 1984, teme ainda que o Paysundu tenha que encarar o Palmeiras, já que o time paulista corre o risco de ser rebaixado. “Se o Palmeiras descer, vai ter Papão e Paysandu e eu vou ter que assistir os meus dois times jogarem”, imagina. Caso isso aconteça, ele garante que vai torcer pelo... “Tem que torcer pelo meu time daqui, pelo meu Pará”.
O sentimento de valorizar o que é do Pará é compartilhado pelo administrador Maurício Berman. “Tem que ter clube do Pará pra representar a gente. Tem que torcer para o time que representa o Estado. O fanático é ignorante ao pensar de outra forma”, acredita o torcedor do Remo.
(Diário do Pará)
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