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ESPORTE PARÁ

Victor Cunha: transparência para sanear Paysandu

O candidato a presidente do Paysandu, Victor Cunha, diz que um dos grandes problemas do clube é a falta de uma reputação sólida. Ele propõe mais transparência e práticas profissionais de gestão, para sanear as finanças do Papão. O candidato concedeu entr

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O candidato a presidente do Paysandu, Victor Cunha, diz que um dos grandes problemas do clube é a falta de uma reputação sólida. Ele propõe mais transparência e práticas profissionais de gestão, para sanear as finanças do Papão.

O candidato concedeu entrevista à coluna de Mauro Bonna publicada no Diário do Pará de hoje (22). Por razões de limitação de espaço, o jornal publicou uma versão resumida da entrevista, com os principais tópicos. Abaixo, você pode conferir a versão integral da entrevista de Victor Cunha.

Como será sua gestão?

VICTOR CUNHA - O grande problema que os clubes de Belém enfrentam (talvez a maior parte dos clubes brasileiros) é a falta de uma reputação sólida perante a sociedade. Ninguém faz negócio com quem não confia. Essa é a lógica do mercado, que inclusive imputa uma subavaliação à marca Paysandu. Neste sentido, como declara a Missão para o nosso Clube, proposta pela chapa Centenário no biênio 2013/2014, iremos buscar incansavelmente a construção dessa reputação sólida perante a sociedade, por meio da implantação de uma gestão que busque resultados sustentáveis e perenes, satisfazendo a nação bicolor e gerando valor para nossos parceiros e investidores.

Essa reputação sólida será um objetivo quantificável e acompanhado estrategicamente dentro do clube. Para isso, nossa meta é passar da 28ª posição do Ranking de Transparência dos Clubes de Futebol Brasileiro (Link http://vai.la/2SIS) para entrarmos entre os 10 primeiros colocados nesta lista, que atestará para a sociedade a seriedade com que o clube será conduzido. Para que isso aconteça, implantaremos as recomendações desse ranking que se baseiam nas boas práticas de Governança Corporativa.

Uma boa reputação atrairá mais investidores (até de fora do Estado), que possibilitará a montagem de equipes mais competitivas, em tese, trará mais conquistas sustentáveis, que atrairão mais investimentos, nos inserindo num círculo virtuoso.

Por fim, queremos que as conquistas passem a ser consequência de um trabalho organizacional coordenado, e não uma finalidade a ser conquistada a qualquer custo. Uma coisa é ser torcedor, outra coisa é administrar o clube.

Como minimizar as dívidas do clube?

VICTOR CUNHA - Simplesmente com administração. O Paysandu é um clube cujo ativo supera os 50 milhões de reais. Com um patrimônio desse tamanho, nosso problema só poder ser: fluxo de caixa e/ou despesas maiores que receitas, que neste caso, pioraria a situação do fluxo financeiro do clube. Não se conseguindo cumprir com as obrigações em dia, e ainda se acumulando ao longo dos tempos. Então, o passivo do clube vai tomando as mesmas proporções de seu ativo, com isso, diminuindo nosso patrimônio líquido, que é a “riqueza” a folga financeira da instituição..

Diante desta realidade, com o balanço de 31/12/2012 nas minhas mãos e de nossa equipe, vamos solicitar a grandes instituições financeiras que nos apresentem propostas para uma operação de financiamento de longo prazo (20/30 anos), com prazo de carência de três a cinco anos, dando em garantia esse patrimônio. Tudo com a aprovação dos órgãos competentes do clube, uma das bases de uma boa governança.

Depois de se escolher a melhor proposta, vamos pedir que essa instituição financeira pague uma auditoria independente de renome nacional para avaliar a situação do Clube, até para dar mais garantia a essa própria Instituição, o que pode até diminuir a taxa de juros da operação. Além disso, as informações dessa auditoria serão repassadas à sociedade.

Paralelamente a essa fase, essa instituição financeira, interessada em fechar o negócio, nos acompanhará até a Justiça para viabilizar a liberação do patrimônio do clube para a operação. Com isso poderemos quitar todas as nossas dívidas de curto prazo (quase que essencialmente trabalhistas). Desta forma, estamos trocando um passivo de curto por um de longo prazo, o que facilitará o planejamento do clube, que não sofrerá mais com esses pesadelos de credores querendo tomar nosso patrimônio.

A partir daí, basta apenas solidificar a gestão por meio de instrumentos gerenciais como Fluxo de Caixa Projetado, Orçamento e Planejamento de Resultados, avaliação mensal de resultados e implementação de ações corretivas, caso sejam necessárias, para que se cumpra o planejado.

Como fazer para evitar um futuro leilão da sede?

VICTOR CUNHA - Se não agirmos estrategicamente, esse patrimônio em algum momento será perdido. Nossa missão é a construção da reputação do clube perante a sociedade, além do fato de termos um projeto financeiro para ser executado em curtíssimo prazo. Vamos chamar nossos credores e tentar sensibilizá-los para nova realidade que se quer implantar no clube, assim como a intenção de regularizar as pendências com eles em um menor tempo possível, que acredito ser em torno de quatro a seis meses após a posse. Penso que conseguiremos esse voto de confiança, pois o interesse deles é resolver a situação de seus direitos e não tirar o patrimônio do clube. Faremos por merecer esse voto de confiança.

Quais suas propostas para o futebol profissional e para as categorias de base do Paysandu?

VICTOR CUNHA - Tanto o futebol profissional, quanto as categorias de base, primeiramente, serão tratados como os principais itens do planejamento organizacional do clube, afinal de contas são os produtos com maiores potencialidades. Todavia, em hipótese nenhuma, se gastará mais do que se espera com receitas anualmente em cenários pessimista, provável e otimista. Quero deixar claro que não se ganhará títulos a qualquer custo. Como deixei bem claro, vamos em busca de vitórias sustentáveis e perenes.

Em termos de propostas para o futebol profissional, vamos criar uma comissão responsável pelo planejamento anual do clube, envolvendo todas as competições que o Paysandu disputará anualmente, fazendo o acompanhamento semanal dos resultados com reunião de seus membros (o treinador fará parte dessa comissão). Além disso, as contratações do clube serão profissionalizadas, com o estabelecimento de um comitê técnico que buscará as melhores opções para cada necessidade, primeiramente nas categorias de base, e depois no mercado, sem a intermediação de empresários, seguindo os critérios para contratação que serão implantados no Paysandu. Por fim, iremos, junto com os órgãos competentes do clube, estabelecer um Plano Diretor para Curuzu para que as reformas/obras que venham a ser efetuadas façam parte de um projeto que nos leve à tão sonhada arena multi-uso. Por exemplo, o São Paulo levou 17 anos para construir o Murumbi, apenas como referência.

Para as categorias de base, as propostas visam à estruturação de uma das maiores potencialidades de geração de resultados (Títulos) e receita para o clube, fundamentalmente com uma atenção maior em termos de planejamento organizacional.

Neste contexto, buscaremos firmar parcerias com Universidades para implantarmos um projeto de atenção completa à saúde de nossos atletas.

Consta de nossa proposta, também, a criação de um Grupo de Trabalho que terá a função específica de aproveitar as oportunidades geradas pelas Leis de Incentivo ao Esporte, e neste contexto, estão incluídas as categorias de base, também. Neste sentido, qual empresa não iria querer associar sua marca a um clube com uma reputação estabelecida (nossa missão), com a sustentação de uma Lei de Incentivos? Temos apenas que refletir e agir para que as coisas aconteçam a nosso favor.

Haverá projetos especiais para o Papão?

VICTOR CUNHA - Entre os projetos especiais, como estratégias de Marketing visando à geração de receitas para o Clube estão:

Estabelecimento de um programa de fidelidade para associados que faça com que realmente se sintam valorizados pelo Clube;

Comemoração do Centenário do Paysandu, que será um acontecimento social e festivo sem precedentes na história do Futebol do Pará, quiçá das regiões Norte/Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Inclusive a numeração dos jogadores do clube no ano do Centenário, serão da seguinte forma: Goleiro: 101. Lateral: 102... Atacantes: 109 e 107). Imagine o que essas camisas não vão trazer de receita para o Clube;

Lançamento dos super-heróis bicolores, denominados de “Esquadrão de Aço”, que é uma ação de Marketing que atinge vários públicos, mas vai atingir fundamentalmente as crianças, o que nos gera uma potencialidade imensa de ampliação exponencial de nosso mercado, nossa torcida;

Lançamento das réplicas em miniaturas das principais conquistas do clube;

Licenciamento da Marca Paysandu para vários produtos, dentre eles, o lançamento do Cinto de Segurança Bicolor, com as faixas dos principais títulos do clube. Empresas do ramo de produção de cintos de segurança já se interessaram pelo projeto, que está sendo patenteado pelo Paysandu;

Vamos transformar o Paysandu num laboratório de pesquisa permanente em parceria com Faculdades/Universidades. Estudantes de vários campos científicos estão ávidos pela possibilidade de terem como objeto de estudo uma grande organização. Neste sentido, são graduandos ou especialistas em Administração, Psicologia, Medicina, Educação Física, Comunicação Social, dentre muitas outras áreas. Isso trará benefícios ao clube, com os resultados dessas pesquisas, ao mesmo tempo que proporciona experiência aos estudantes.

Enfim, muitos outros projetos serão desenvolvidos.

Com o acesso à Série B, o que fazer para se manter ou buscar a elite do futebol brasileiro?

VICTOR CUNHA - Na presidência do Paysandu, serei administrador, e não torcedor. Pensamento compartilhado pela equipe de trabalho. Se for feita uma análise criteriosa e séria, sem se tratar de meras promessas ilusórias de campanha, o Paysandu não tem estrutura administrativa e organizacional para subir para série A pelo menos nos próximos cinco anos. Há primeiramente um longo trabalho de estabilização do Clube que será iniciado em minha gestão. Ou seja, como administrador, visualizo o Paysandu verdadeiramente como um dos 20 maiores clubes do Brasil na próxima década. Antes disso, e depois também, é puro trabalho.

Como já deixei claro, o objetivo que assumo é construir uma reputação sólida do clube, buscando vitórias sustentáveis e perenes.

Todavia, se subirmos para série A ano que vem, é lógico que comemoraremos... Mas manterei o clube sempre com os pés no chão, dentro de todo planejamento elaborado para cada realidade que se apresentar.

Como você vê a situação atual do clube?

VICTOR CUNHA - Com relação à situação atual do clube, temos a certeza que é bem melhor do que há 6 anos, quando foram buscar o Luiz Omar na empresa dele, 10h, para ele assumir a presidência do Paysandu às 20h.

A dívida do clube, àquela altura, era mais de 30 milhões de reais. Com negociações e pagamento de muitas coisas, essa dívida caiu para algo em torno de 8 milhões de reais, no que se refere a dívidas trabalhistas.

Além disso, em 2006, Luiz Omar assumiu o Paysandu, sem divisão, pois um gol salvador do Super Zé, nosso verdadeiro super-herói, nos colocou na terceira divisão. Hoje, estamos na série B.

Só posso concluir que as coisas estão melhores do que há 6 anos. A partir da data de minha posse, a responsabilidade será minha em alcançar nossos objetivos, já amplamente divulgados nesta entrevista, com a assessoria de pessoas altamente qualificadas.

Desde quando você está no Paysandu?

VICTOR CUNHA - Desde sempre. Sou de uma família tradicionalmente de bicolores, com algumas raríssimas exceções. Nossa família sempre esteve envolvida socialmente e politicamente no clube. Em função dos serviços prestados ao Paysandu como torcedor fui agraciado com o título de benemérito, que não é qualquer pessoa que tem, e é uma honra para mim.

Logo, para quem afirma nas redes sociais que sou “paraquedista”, é porque não conhecem a vida do Clube. Um torcedor do Paysandu não me conhecer, é uma coisa natural, pois nunca vinculei minha carreira profissional ao Paysandu. Agora, dizerem que caí de paraquedas, é pura má intenção articulada, justamente por não terem nada o que falar de minha pessoa.

(DOL)

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