Vindo de uma sequência de resultados desastrosos – rebaixamento no ano anterior, campanha pífia no paraense e eliminação suspeita na Copa do Brasil jogando em casa – o Remo terminou o ano de seu centenário de forma gloriosa conquistando seu primeiro título nacional. O torcedor azulino quando pensa naquela jornada, lembra com saudade. Principalmente considerando os sete anos que se passaram desde então.
De lá pra cá, o Fenômeno Azul continuou marcando presença nos estádios. Mesmo em anos de poucas glórias, como o presente, a torcida azulina sempre proporcionou belos espetáculos nas arquibancadas. “A conquista de 2005 foi a última grande do Remo. E quando conseguimos trazer o clube para a Série B, o plano era que o mesmo subisse e alcançasse a Série A” afirma Raphael Levy, presidente do clube na época. Mas a realidade é que o planejamento se perdeu de lá pra cá. Campanhas ruins, rebaixamentos e a situação de time sem divisão foram a sequencia daquele triunfo.
O Leão não rugiu mais. Há quatro anos sem conquistar títulos e dono de campanha medíocres na disputa da Série D. Resta lembrar o passado para imaginar o futuro. Raphael di Carlo, 23 anos, geofísico e azulino tem lembranças ao mesmo tempo felizes e angustiantes daquela jornada em 2005. “Eu tinha 17 anos e estava estudando pro vestibular. Não podia ir ao estádio acompanhar as partidas, ouvia só no rádio. ”, explica Raphael.
A experiência à distância acabou rendendo a Raphael alguns momentos que beiravam o surreal, como no dramático duelo contra o Tocantinópolis onde o time precisava estabelecer dois gols de vantagem sem sofrer gols. “Eu estava na expectativa do Leão fazer pelo menos uns 3 a 0. Quando o Capitão fez o primeiro gol, fiquei mais aliviado, só que aí o eles fizeram um gol e eu comecei a me preocupar. Quando o Remo perdeu o pênalti, eu perdi as esperanças e desliguei o rádio. Depois o liguei de novo e vi que o jogo estava 4x1! Não acreditei!”, disse.
A alegria da conquista do título para Raphael e toda a torcida azulina naquele difícil duelo no sul do país foi como a vitória de uma nação inteira. “Mas quando Maurílio selou a vitória, fiquei mais feliz do que quando o Brasil ganhou o pentacampeonato! ”, recorda o geofísico.
A conquista da série C veio através de jogos difíceis e resultados dramáticos. Nenhum deles mais dramático que a classificação conseguida contra o Tocantinópolis nos minutos finais, após sofrer um gol, ser obrigado a marcar mais dois e perder uma penalidade na sequência.
O Remo teve a oportunidade de repetir aquele feito. Contra o Mixto-MT no primeiro mata-mata da Série D deste ano, precisava reverter uma derrota por 2x0. O time novamente abriu 2x0 na partida e sofreu um gol. Mas desta vez o Mangueirão, novamente lotado, viu um final diferente pro roteiro. O gol do Mixto destruiu o espírito do time azulino e partida terminaria com aquele placar, eliminando o clube da competição.
(Diário do Pará)
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