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Remo perdeu o bonde da história

Os anos passam, mas uma regra não é quebrada no Clube do Remo: para vencer uma eleição no clube é preciso despertar a simpatia dos mais influentes do Conselho Deliberativo (Condel). Isso ficou claro na eleição para o biênio 2013/2014, ocorrida na Sede Soc

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Os anos passam, mas uma regra não é quebrada no Clube do Remo: para vencer uma eleição no clube é preciso despertar a simpatia dos mais influentes do Conselho Deliberativo (Condel). Isso ficou claro na eleição para o biênio 2013/2014, ocorrida na Sede Social do clube, na última quinta-feira. Sérgio Cabeça, da chapa da situação, foi aclamado por 83 votos dos 112 conselheiros que se fizeram presentes. A noite serviu apenas para confirmar o que todos já sabiam. Há semanas, Cabeça já era dado como vencedor certo.

Seu opositor, o médico Roberto Macedo, parecia não ser bem quisto por grande parte do grupo que envolve Grandes Beneméritos, Beneméritos e Conselheiros que formam o atual colégio eleitoral azulino. Em uma reunião do Condel, meses antes a eleição, Macedo soltou o verbo. Falou que investigou as contas do Leão e ficou perplexo com o que viu. O seu afastamento da vida do clube nos últimos anos, aliada às suas críticas a atual gestão, pesaram contra. Ganhou maus olhares. Afinal, a gestão de Cabeça foi eleita pelos mesmos conselheiros há dois anos com 100 votos. Prova disso foi quando, em um discurso emocionado de Macedo sobre a derrota nas eleições, era possível ouvir alguns membros do Condel gritarem ‘Tá bom Macedo, desce logo daí’. “Sou um vencedor porque tive coragem de mostrar um Remo que muitos não gostam de ver”, foram algumas das palavras do candidato derrotado.

Cabeça, por sua vez, ágil e com serenidade só fez reconquistar os pares conselheiros que lhe apoiaram na eleição passada. Mesmo não tendo conquistado nenhum título relevante no futebol, conselheiros optaram por não querer trocar o certo pelo duvidoso. Eles continuaram no poder com Cabeça à frente. É claro que se o Roberto Macedo ganhasse, ele colocaria no poder quem lhe agradaria mais. Com o pleito sendo feito de forma indireta, a renovação azulina fica pendente.

SOLUÇÃO?
Entretanto, os dias para esse revezamento de poder estão contados. É o que dizem. Por um móvito simples: o maior rival azulino, o Paysandu, aprovou estatuto com eleições diretas e elegeu um ídolo do clube, Vandick Lima, como presidente. As pressões vêm de toda parte: imprensa, torcida e até membros fortes da comunidade azulina. Um deles é o ex-vice-presidente do Remo e atual Grande Benemérito, Paulo Mota. “Foi uma eleição tranquila e bonita, mas essa forma de eleição, indireta, precisa acabar. Eu sou totalmente a favor da mudança no estatuto”, afirma.

O atual vice presidente do Condel, Benedito Wilson de Sá, revela que sofreu pressão para a aprovação do estatuto por parte de alguns conselheiros. Entretanto, a mudança, agora, parece inevitável. O próprio presidente Cabeça garante que irá aprovar o novo estatuto.

(Diário do Pará)

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