Ricardo Mendes Nascimento, 38, iniciou este ano sua carreira como treinador de futebol. Sem nenhuma experiência prévia como técnico, o ex-atleta e ídolo bicolor Lecheva surpreendeu a todos os prognósticos. Mesmo sem conquistar nenhum título, o treinador bicolor quebrou três tabus dentro do clube e marcou seu nome na história como técnico da agremiação. Os dois primeiros foram conquistados dentro de campo, com a inédita classificação para a terceira fase da Copa do Brasil e com a conquista da vaga para a Série B, após seis anos na Série C.
O último tabu foi fora de campo, e é resultado direto das conquistas em campo. Com a permanência no posto de técnico do Paysandu, pela primeira vez, desde 2002, um técnico é mantido de uma temporada para a outra no Papão da Curuzu. E o último treinador mantido entre uma temporada e outra foi justamente Givanildo Oliveira, no período de maiores conquistas do clube entre 2000-2002. De lá para cá, nenhum treinador que terminou temporada no comando do bicola permaneceu para a temporada seguinte.
Para Lecheva as conquistas atingidas em seu primeiro ano como treinador são motivo de muito orgulho. “É muito bom poder dar alegrias ao torcedor bicolor novamente”, diz. Lecheva afirma que ainda não consegue se ver como treinador de futebol, mas como técnico do Paysandu. “Se a direção do clube não quiser contar mais com o meu trabalho, eu continuo no clube ajudando de outra forma. Torço tanto pelo Paysandu que não consigo me enxergar enfrentando o clube”, disse o técnico bicolor.
Curiosamente a permanência de Lecheva no comando se dá num dos momentos de maior transformação interna do clube. Com a vitória da oposição ao então presidente Luiz Omar Pinheiro. Novos diretores, novas filosofias e novas estratégias prometem dar o tom na Curuzu em 2013. “Não tem como ignorar o trabalho que o Lecheva fez esse ano. Por tudo que fez ele é o técnico pra começar os trabalhos em 2013, e os resultados em campo dirão até quando ele seguirá no comando”, afirmou o novo presidente Vandick Lima.
Trabalhar no clube era uma roleta russa
Foram 11 anos em que o treinador era trocado ao final da temporada e o trabalho basicamente recomeçava do zero no ano seguinte. Abordados pela reportagem, torcedores do Paysandu disseram nem se lembrar de todos os treinadores que passaram pelo clube. “Rapaz, nem sei quem são esses Carlos César e Barbieri”, afirma o antropólogo Enderson Oliveira. Para Enderson, essa mudança de comando constante é uma das responsáveis pelo período ruim que o time passou. “Virou roleta russa trabalhar no Paysandu, ninguém consegue estabelecer um trabalho com tantas alterações”, disse.
O professor Glauco Maurício relembra que a permanência de um treinador muitas vezes é a razão do êxito de um trabalho. “Veja o caso do Tite no Corinthians. Será que o time teria conquistado tudo o que conquistou se tivesse demitido o treinador após a derrota pro Tolima, na pré-libertadores 2011? Tenho certeza que não”.
Entre os nomes relembrados, Glauco lembra com saudades de Ivo Wortmann pelo profissionalismo e seriedade, e um que lhe dá calafrios de lembrar é do carioca Sergio Cosme. “Cara bizarro, não demonstrava ter conhecimento nenhum de futebol”, diz.
O historiador Tunai Almeida é ainda mais pessimista em sua avaliação. “Givanildo Oliveira, Edson Gaúcho, demitido injustamente, e Ivo Wortmann. O resto não deixou saudade, não”.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar