Após alguns anos sendo pouco utilizado pelos nossos titãs Remo e Paysandu, o estádio Olímpico do Pará Jornalista Edgar Proença, o Mangueirão, volta aos holofotes esse ano. Com o acesso do Paysandu de volta à Série B, o estádio deve ser palco dos jogos da equipe na competição. Já o Remo, mesmo sem a confirmação da participação na Série D, tem aproveitado o embalo da torcida e mandado já os jogos do Campeonato Paraense no estádio. Essa visibilidade maior gera também algumas dúvidas.
Considerando-se as impressões a respeito do último jogo de grande apelo no estádio – o Re x Pa que atraiu cerca de 42 mil espectadores –, ficaram dúvidas na cabeça do torcedor se o estádio ainda é suficientemente grande para nossos jogos de maior porte, devido à grande quantidade de pessoas que não conseguiram assistir à partida por não haver mais ingressos disponíveis. Consultamos a administração do estádio sobre o tema e recebemos algumas respostas esclarecedoras.
Segundo o diretor do estádio, Saulo Aflalo, o Mangueirão tem, atualmente, capacidade para 45.007 torcedores e, por medida de segurança, deixa uma folga de 2,5 a 3 mil lugares vagos para jogos de duas torcidas. “Não é porque o estádio já recebeu públicos acima de 60 mil pessoas que isso significa que ele estava apto a receber essa quantidade de pessoas. Hoje, com o Estatuto do Torcedor e exigências da CBF para as competições, a capacidade dos estádios tem sido reduzida, de um modo geral, mas a segurança e o conforto cresceram muito”, explicou.
Saulo lembra que o estádio deve passar por diversas reformas em sua estrutura e no seu complexo esportivo visando a Copa de 2014 e a ambição de sediar os treinos de alguma seleção importante. A ampliação da capacidade, no entanto, ainda não está nos planos. “É preciso ver que nos últimos quatro anos este Re x Pa foi o primeiro jogo a esgotar a carga de ingressos.
A prioridade, no momento, ainda não é essa”, disse o diretor. Entre as melhorias previstas nas reformas para 2014 estão reformas no anel viário externo ao estádio, a construção de um ginásio com capacidade para 12 mil pessoas e a modernização das instalações.
Tapete verde, mas coberto pela lama
O Mangueirão, outrora tachado como “gramado de futebol fácil” tamanha a qualidade do seu relvado, tem convivido nos últimos tempos com uma fama bem diferente. Não foram poucas as reclamações sobre a qualidade do gramado. “O gramado está horrível, muito irregular, se chover vira lama e fica muito pesado, a bola não rola”, reclamou o meia azulino Endy às vésperas da partida entre Tuna x Remo no estádio, pela segunda rodada. “O Mangueirão já foi o melhor gramado do Pará, hoje em dia, no entanto, deixa bastante a desejar”, afirmou o preparador físico da Tuna José Jorge. Na cabeça do torcedor, fica a pergunta – com tão poucos jogos realizados no estádio ao longo do ano, porque o gramado está tão ruim?
Para responder à pergunta consultamos um ex-craque dos gramados que continuou trabalhando para a bola rolar bem depois. Raimundo Mesquita, ex-jogador de Remo, Paysandu e Tuna, hoje em dia é o engenheiro agrônomo responsável pela manutenção do gramado do Mangueirão. Para Mesquita, a resposta à questão está na vida útil do gramado. “Um gramado oficial para jogos tem uma vida útil de cerca de cinco anos. O atual gramado do Mangueirão está sendo utilizado há onze anos. Ele nunca foi trocado após a reforma”, comentou.
Mesquita refuta que haja problemas de manutenção e falta de trabalhos de recuperação no gramado. “Se vocês olharem, a drenagem do campo tem funcionado bem. Jogos com chuva leve não geram problemas para a partida, mas ultimamente as chuvas tem sido torrenciais e um gramado gasto e envelhecido já não consegue dar conta”, disse. O responsável pelo gramado assevera que os funcionários tem procurado deixar o gramado nas melhores condições para as partidas até aqui, mas que a solução definitiva deve ser a troca do gramado.
Sobre o assunto, Mesquita afirma que mudanças devem ocorrer em breve. “O governo do estado abriu período de licitação para a troca do gramado do Mangueirão. Este é um dos principais pontos da reforma que o estádio deve sofrer ainda em 2013 visando a Copa de 2014” disse Raimundo Mesquita. O engenheiro assevera que as obras no gramado devem ser realizadas rapidamente e não vão comprometer os jogos da dupla Re x Pa no estádio ao longo da temporada.
(Diário do Pará)
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