Quando anunciado pelo presidente Vandick Lima como o maior investimento que o Paysandu fizera até ali, talvez o atacante Iarley (38) não esperasse tanta repercussão, mas ele, involuntariamente, provocou uma onda alviceleste. A mídia se mobilizou, torcedores saudosistas relembravam os feitos da passagem pela Libertadores de 2003 e as vendas de camisas dispararam.
Depois de um mês e nove em Belém, Iarley se diz realizado. “Eu sou uma pessoa que vou a shopping, gosto de cinema, gosto de passear, ir em churrascarias, e sem dúvida nenhuma o carinho dessas pessoas é muito grande, principalmente quando relembram o jogo contra o Boca Juniors. Isso ficou gravado e eu compartilho com eles”, diz.
Cotidianamente, as obrigações do cidadão comum tomam parte do seu dia, o que segundo ele o torna, além de um ídolo da torcida, uma pessoa do povo, não melhor nem pior do que os outros, apenas mais um. “Estou bem tranquilo. A família já está ai, os meninos estão no colégio, tudo normal, estou feliz em Belém”, garante, sem esconder os pedidos constantes que surgem a cada encontro, a cada foto e a cada bate-papo informal: vê-lo iniciando em uma partida.
“A gente vê um pouco de ansiedade por parte da torcida, até mesmo por parte da imprensa, mas eu estou tranquilo. Eu acho que essa ansiedade não pode passar pra mim”, defende.
A estreia de Iarley não poderia ter sido numa ocasião mais oportuna. Aconteceu no dia 26 de janeiro, por ocasião da 4ª rodada do certame estadual. O adversário? O maior rival. O atacante entrou na metade do segundo tempo, deu mais vida ao jogo e completou sua primeira passagem da maneira que mais gosta, fazendo gol. O placar não foi o desejado, mas a estrela de um artilheiro nato e dos momentos especiais nunca se ofusca diante dos contratempos, principalmente quando se estabelecem metas, que para ele, são sagradas.
“A primeira meta é ser campeão paraense. Essa é a minha. Minha e do clube. Acho que temos que trabalhar com metas a curto prazo. Não adianta pensar em coisas maiores sem alcançar esse primeiro objetivo. Terminando este a gente vai trabalhar pra formar um time forte para a Série B, e ver as condições do clube, se vão brigar para subir ou começar a se reestruturar para o momento certo”, afirma.
As metas de um veterano acostumado a grandes feitos o fazem ídolo não só das arquibancadas. A experiência o fez tornar-se referência entre os colegas, alguns apenas crianças quando Iarley fez história. “Os jogadores que tinham 10, 12 anos na primeira vez em que passei pelo Paysandu, há 10 anos. Então, eles veem em mim um exemplo e eu tento, sem dúvida nenhuma, mostrar pra eles e orientá-los da melhor forma, e com minhas atitudes, apesar de idade, treinando de igual para igual ou uma palavra de incentivo”, assegura.
(Diário do Pará)
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