Às vésperas da decisão da Taça Cidade de Belém, algo incomoda o meia Ramon. E não foi gripe. A contratação mais cara do Clube do Remo da temporada 2013 vem sendo alvo de severas críticas. Todos querem ver Ramon corresponder ao status de grande reforço, como ele foi intitulado pela própria diretoria em janeiro, época em que sua contratação foi anunciada. Na ocasião, inclusive, o vice-presidente do Leão, Zeca Pirão, deu entrevistas a portais e sites locais afirmando que “Ramon era uma contração com o mesmo peso de Iarley”, comparando ao negócio do eterno ídolo bicolor com a diretoria do Paysandu.
“Fico triste, porque nunca fugi das minhas responsabilidades. Eu sei que o torcedor vai me cobrar, isso é normal. Mas fico triste, porque estou no grupo respeitando todos e o mais importante é o grupo. As pessoas não veem o meu dia a dia, o quanto me dedico ao trabalho. Às vezes treino sozinho, mas isso não me abate. Minha hora vai chegar”, confia o meia, que no treino de ontem até deixou externar um pouco o estresse em uma discussão de trabalho com o volante Nata, durante o coletivo.
Antes, por meio de seu perfil no Twitter, o meia já havia desabafado esta semana. “Pessoas que te criticam são as mesmas que vão te aplaudir. Trabalho em silêncio”, postou. Aos 24 anos, o “Predador”, como Ramon ficou conhecido no futebol, já acumula passagens por clubes como Atlético (MG), Corinthians (SP), Flamengo (RJ) e CSKA da Rússia, além da Seleção Brasileira Sub-17, onde chegou a disputar e fazer quatro gols no Mundial de 2005 da categoria.
O currículo lhe rendeu um contrato de dois anos com uma multa rescisória de R$ 4 milhões e uma cláusula que garante uma parte ao Leão em caso de venda do meia. “É uma multa colocada pelo Clube do Remo juntamente com meu irmão, que é meu empresário, e que vai ajudar os dois lados. Estou aqui trabalhando e sei das minhas responsabilidades”, dá o recado.
Cinco titulares voltaram aos treinos
Dessa vez, a chuva deu trégua ao treino do Clube do Remo, no campo do Helinho, e o técnico Flávio Araújo pôde trabalhar mais tranquilo. Não só pela ajuda dos céus, mas também pela volta de cinco titulares: Mauro, Carlinho Rech, Walber, Fábio Paulista e Leandro Cearense.
O julgamento do Tribunal de Justiça Desportiva do Pará (TJD-PA) foi o que impediu a maioria desses atletas de estarem presentes no coletivo de quinta-feira. Mas, ontem, sob os olhares de Gian e Helinho, dois ex-jogadores do Remo, Flávio Araújo colocou em campo o provável time que deve começar o jogo domingo: Fabiano; Zé Antônio, Carlinhos Rech e Mauro; Wálber, Gerônimo, Nata, Thiago Galhardo e Berg; Fábio Paulista e Leandro Cearense.
O único desfalque segue sendo o volante Jhonnathan. Ele já se encontra em Castanhal desde a manhã de ontem, após realizar exames médicos que constaram que o “edema na panturrilha praticamente sumiu”, porém, ele ainda fez trabalho físico à parte sob a supervisão de Pedro Henrique, preparador físico do time. “Só quem sabe se eu jogo ou não é ele”, disse Jhonnathan, apontando para Flávio Araújo. Nata é quem continua a substituir a cria da casa. Ele estava fora do time titular desde a sexta rodada. “A gente torce para ele (Jhonnathan) estar pronto, porque a gente é um grupo. Mas, se ele não puder, estou pronto. O professor (Flávio Araújo) já me orientou”, afirma Nata.
O passado olha o presente
No penúltimo coletivo do Clube do Remo antes do clássico decisivo contra o Paysandu, que vale a Taça Cidade de Belém, passado e presente se encontram. A comissão técnica do Remo decidiu trocar o campo de treinamento para um local de propriedade de um velho conhecido da torcida azulina. O Remo, ontem, foi ao Campo do Helinho, ex-atacante do Leão no início dos anos 2000. Por lá, ainda estava outro grande conhecido da torcida da mesma época: Gian, o eterno príncipe do Baenão.
“É muita satisfação receber o Remo, que já foi minha casa durante muito tempo, onde fiz amigos”, comentou Helinho, hoje, com 32 anos. Ao lado de Gian, os dois estão aposentados faz alguns anos do futebol, residindo em Castanhal, onde trabalham na Secretaria de Esporte do município. Helinho é o secretário e Gian e seu assessor. Mas, o futebol, claro, continua no sangue. E a vontade de Gian seguir carreira de treinador também. “Estou morando aqui, trabalhando na Secretaria de Esportes, trabalhando ao lado do Helinho, olhando bastantes jogos, porque o objetivo ano que vem, quem sabe, é voltar como treinador”, planeja, enquanto observava o treino. E de camisa 10 para camisa 10, vieram até conselhos.
“O (Thiago) Galhardo tem grande qualidade. A gente espera que ele possa arrebentar no Re-Pa, porque todo mundo sabe que o que faz a diferença é a final contra o Paysandu. Tomara que ele jogue tudo que saiba para ficar na historia”, deseja, pois o passado e o presente se encontraram no treino de ontem, as vésperas da decisão da Taça Cidade de Belém. “Fico feliz de reencontrar a equipe ressurgindo, com novos jogadores que passam a impressão que é um time muito guerreiro. Espero que tudo isso possa ser coroado no domingo”, finaliza Gian, o eterno príncipe do Baenão.
(Diário do Pará)
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