À primeira vista, Val Barreto parece ser um cara rabugento. Sua aparência física, 1,83m de altura, porte físico avantajado e cara fechada passam a impressão que Val é um cara de poucos amigos. Os próprios apelidos que o jogador ganhou – “Tanque do Baenão”, “Búfalo do Marajó” e “Valloteli” (uma comparação com o atacante italiano Balotelli, do Milan), - só aumentam a impressão.
Ledo engano. Ao trocar as primeiras palavras com o atacante do Remo, é fácil perceber que aquele ditado de não julgar as pessoas pela aparência se aplica a Val. “Sou um cara tranquilo”, diz ele, prosseguindo. “Pelo tamanho, os caras acham que sou ‘grossão’. Mas aprendi que tem ter humildade, aprendi que tem que ser um grupo unido, todo mundo tem que ajudar todo mundo”, ensina ele, um dos jogadores mais religiosos do elenco.
Na semana decisiva de final de primeiro turno, ele não deixou de lado as orações e não escondeu a preocupação com o julgamento de Leandro Cearense, a quem ele se refere como amigo, que aconteceu na última quinta. Caso fosse punido, a vaga na equipe titular ficaria para Barreto. Mas quem disse que ele queria isso? “Estava torcendo para ele ser absolvido. Quero que todos os atacantes estejam bem”, confessa. De fato, Val Barreto está sempre quieto no seu canto nos treinos. Dá prioridade apenas às ordens do técnico Flávio Araújo, que até então é de deixa-lo no banco de reservas.
A decisão, no entanto, sempre foi difícil para o treinador. “Temos atacantes de bom nível. A dúvida entre o Val e Leandro (Cearense) sempre vai existir”, afirma Flávio. Mas, a favor de Val, além de seis gols, o centroavante já tem a torcida ao seu lado, que confia no seu faro de gol.
Afinal, foi assim praticamente o campeonato inteiro: um autêntico reserva de luxo, que entra e resolve a parada. Para esse domingo, Val ainda não sabe se começa jogando ou no banco de reservas. Porém, ele sabe: um gol no jogo mais importante até aqui só servirá para consagrar a jornada do novo herói azulino. “Vou entrar com a mesma raça para buscar o gol”, afirma.
(Diário do Pará)
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