Ser um torcedor apaixonado quando a fase do seu time não é boa tem seus momentos de aperto. O dia seguinte a qualquer situação embaraçosa envolvendo o seu clube do coração vira munição para o torcedor rival começar um calvário de piadas e achincalhes. E assim se constrói uma parte sadia da rivalidade Re-Pa, com brincadeiras que entram para o folclore do clássico mais disputado do mundo e que ganham suporte em uma forma alternativa bastante tradicional de cobertura esportiva – as charges. Objeto de homenagem hoje na série Cards Super Bola.
Para quem trabalha com charges, seja esportiva ou não, a missão diária é utilizar o humor para tecer críticas e repercutir assuntos que mobilizam o público. Assim define o chargista profissional Carlos Nascimento que há 15 anos trabalha como chargista do DIÁRIO DO PARÁ, assinando pelo seu nome artístico – Casso. “A charge é como um complemento da cobertura esportiva. Antes do jogo, o resultado do dia seguinte, algum vexame ou alguma conquista... Tudo vira material para ser retratado nas charges” explica o artista.
Casso afirma que a charge é uma das áreas do jornalismo onde o leitor mais se identifica. “Algumas das melhores ideias pra charge vem justamente de conversas de torcedores em balcões de mercearia, paradas de ônibus, feiras. Quando ele vê a brincadeira que ele faz retratada no jornal, ele se sente parte daquilo” assevera Casso.
O principal objetivo da charge, avalia o ilustrador, é propiciar, utilizando o humor, uma reflexão no leitor. “Procuramos fazer uma cobertura no aspecto político por trás do esporte. Retratar os erros de gestão e os gestores ruins. Destacando isso nas charges, damos a oportunidade para o leitor refletir sobre o que está por trás da má fase do seu time, e uma oportunidade para esses dirigentes se mancarem” brinca Casso.
Casso afirma que não faz distinção entre fazer graça contra o time que ele torce ou contra o rival. “Nesse aspecto, a gente acaba não diferenciando. É o próprio clube que gera material para receber charges ou não. Enquanto o meu time estiver pisando na bola, vou zoar ele a torto e a direito. No futebol local, a avacalhação é geral” afirma o chargista.
(Diário do Pará)
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