Em 2006, a Tuna estava há dois anos sem disputar a fase principal do Parazão, em uma fase muito ruim, mas, em um lance ousado, se credenciou a disputar a Série C e surpreendeu o Brasil chegando ao quinto lugar. O time comandado por Carlos Alberto Lucena, e que contava com atletas como João Pedro, Flamel e Felipe Mamão, ganhou visibilidade nacional e muitos atletas acabaram sendo negociados com outros centros. O persistente treinador insistiu nas peças remanescentes e montou um time que levantou o primeiro troféu para o clube desde a Série C de 92. Foi a Taça Cidade de Belém de 2007.
Sem boa parte dos destaques da terceirona no ano anterior, Lucena montou um time com valores desprezados pela dupla Re-Pa como o atacante Garrinchinha, o goleiro Inácio e o volante Marlon, e conquistou um retorno a elite marcante – eliminando o Clube do Remo nas semifinais do primeiro turno com um empate. Na decisão contra o Ananindeua, no estádio Mangueirão, a Águia, mesmo com os desfalques de Arinelson e Márcio Belém, jogava uma partida aplicada mas o gol não saia. O alívio veio aos 43 do segundo tempo, quando o baixinho Hállace, de cabeça, fez o gol do título. “Eu estava lá no Mangueirão nesse dia. Há muito tempo não vivia uma emoção como aquelas num estádio de futebol” afirmou Leonardo Tostes, hoje um publicitário formado, à época, estudante de cursinho.
Tostes afirma que, originalmente, era torcedor do Paysandu, mas a má fase do time fez com que começasse a torcer pela Tuna como forma de protesto. “Todo ano víamos o Paysandu cometendo os mesmos erros e sofrendo os mesmos revezes. Aquele ano eu decidi – vou dar meu dinheiro e minha atenção por quem ainda não judiou dele, e resolvi apoiar a Tuna” diz ele, que desde então diz não dar mais trela pra dupla Re-Pa. “Ver a Tuna levantar um troféu de primeiro turno é uma coisa diferente. Todo ano Remo ou Paysandu levantam um ou dois troféus desses e no final do ano ninguém lembra mais. Na Tuna, cada jogador que ajudou o time a chegar lá é um herói e marca a história do clube. Me identifiquei muito com isso” diz o jovem.
Leonardo diz que seria muito legal ver a Tuna chegar uma final novamente – “principalmente porque isso livraria o time do rebaixamento” brinca. Ele vê na raça dos jogadores e obediência ao comandante um ponto em comum nas duas equipes. “Faltavam meias de criação em 2007. Hoje temos uns dois ou três no grupo, não é muito mas já é mais do que o Lucena contava. Vou torcer até o fim para que ela se classifique, mas não tão seguro assim. O Paragominas é uma grande equipe” comenta Tostes, afirmando que se a Águia chegar na final vai ficar muito orgulhoso, mas, se for rebaixada, isso não vai influenciar em nada. “Onde a Tuna estiver, ano que vem, vamos estar lá apoiando. Ser tunante é muito mais do que disputar um título todo ano, é um sentimento”.
(Diário do Pará)
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