Os dois clássicos da semifinal, ambos com público muito abaixo da média esperada, 11 e 17 mil presentes, respectivamente, não deixam dúvidas da desconfiança do torcedor em relação a dupla Re-Pa. No caso do Papão, apesar de ter tido maior presença em ambas as partidas, a segunda derrota colocou uma grande incógnita: o que fazer diante da má fase próxima?
O questionamento, apesar de precoce, é reflexo do descontentamento notório da torcida em alguns momentos. O foco maior dos protestos era direcionado ao ataque, em especial a Iarley, que recebeu algumas vaias e não retornou para o segundo tempo. Consciente das cobranças naturais, os atletas pedem calma e que o torcedor não abandone o time no momento de afirmação do grupo.
“Ano passado, o Paysandu também perdeu jogos dessa forma. O torcedor precisa estar perto da gente. Sei que a vitória não veio, mas com ele afastado do clube as vitórias não vão chegar. Ano passado, vivemos um momento na Série C, falaram que seríamos rebaixados, mas acabamos subindo e esse ano não será diferente”, pede o goleiro Paulo Rafael.
O goleiro, aliás, não esconde que sempre torceu para o Paysandu e teve a mesma sensação diversas vezes, mas acredita que a força do clube é maior que qualquer má fase. “Eu também sou torcedor do Paysandu e não escondo isso de ninguém. Falei que o único time grande que jogaria aqui no estado é o Paysandu, não desmerecendo o Clube do Remo, mas se for pra jogar em time grande daqui só se for onde eu estou”.
De olho em outras competições, o momento é de preparação, só assim o time pode reatar o laço com a Fiel Bicolor. “Não só eles ficaram tristes, mas nós também saímos do jogo de cabeça inchada. tenho certeza que daqui a pouco estaremos preparados para dar a volta por cima e alegrias para o torcedor”, compara Eduardo Ramos.
De novo, Papão nega corpo mole
Dois jogos e duas derrotas. Na primeira, surgiram boatos, sem provas, de que o Paysandu teria afrouxado em campo, para facilitar a chegada do maior rival na grande final, o que aumentaria consideravelmente a renda nos últimos dois clássicos. A informação foi amplamente refutada pelos jogadores.
“O Eduardo, se não me engano, vinha de uma virose e mesmo assim entrou em campo. Claro que tinham outros para entrar no lugar dele, mas é um cara que vestiu a camisa, que correu atrás do resultado. Futebol tem dessas coisas, infelizmente a gente perdeu. Profissional quer ganhar jogo”, dispara Paulo Rafael.
Se não houve redução na vontade, então, o que pode ter sido? Como explicar o resultado? “A gente fala muito, antes dos jogos, o que tem que fazer, nos dedicar, e às vezes quando chega na hora do jogo a gente acaba vacilando. Somos um grupo, sabemos que o time precisa melhorar para se tornar mais competitivo a cada jogo”, defende Eduardo Ramos, muito claro em assegurar que não há como baixar o nível em um jogo onde cada lance é visto por milhares de pessoas que cobram, gritam, aplaudem e vaiam.
“Num jogo desses não há como existir relaxamento. Eu tenho certeza que a gente se prepara para fazer o melhor. É coisa de futebol, um detalhe, um vacilo. Eu senti muito no segundo tempo. No primeiro joguei bem, mas depois perdi um pouco das forças”.
Corrigindo essa rota
Na reapresentação bicolor, na tarde de ontem, os atletas participaram de um trabalho de musculação, onde, naturalmente, o tema central na roda de assuntos não poderia ser outro, senão a eliminação do segundo turno do Campeonato Paraense. Agora, engana-se quem pensa que o clima era pesado. A única preocupação dos bicolores consiste em se preparar para a primeira partida da segunda fase da Copa do Brasil e aprender com os erros.
“(Copa do Brasil) No momento é o único foco que nos resta. (No Parazão) Não sabemos quem será o nosso adversário, então vamos olhar 100% na Copa. Infelizmente não conseguimos o objetivo real, ser campeão do segundo turno, então vamos olhar para onde temos compromisso imediato e chance real de avançar”, observa o meia Eduardo Ramos. Para este jogo, o maior problema será o deslocamento até a cidade de Naviraí/MS.
A delegação bicolor viaja no dia 6, fazendo escalas em Campinas, Dourados/MS e por fim Naviraí, onde joga no dia 8 e retorna na madrugada seguinte. “A gente vai tentar fazer um bom jogo, mesmo sabendo das dificuldades naturais da partida. Temos que encarar como o jogo da nossa vida. Vamos pensando em eliminar de primeira, tendo em face que os próximos adversários podem ser importantes e isso vai ser bom para o clube”, prossegue Eduardo Ramos.
No Parazão, o Paysandu só joga no dia 12, enquanto o adversário será conhecido no domingo (5). De certo, até aqui, somente a liberação do zagueiro Raul, do volante Ricardo Capanema e do atacante Heliton; e a preocupação em torno dos pendurados, Paulo Rafael, Yago Pikachu e João Neto. Enquanto refaz cálculos e projeta o retorno aos gramados, ao menos a confiança no elenco parece não ter sido afetada. “Agora é levantar a cabeça. Apesar dos erros, nós estamos na final do campeonato e isso é uma vantagem da nossa equipe”, defende, o goleiro Paulo Rafael.
(Diário do Pará)
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