O Paysandu cometeu o segundo tropeço na Série B do Campeonato Brasileiro, ao perder por 1 a 0 para o Ceará, na noite de ontem, no estádio Presidente Vargas, em Fortaleza. A derrota custou caro, apesar da arbitragem ter tido uma noite duvidosa, na qual dois gols do bicolor paraense foram contestadamente anulados. Com apenas um ponto na tabela, resta agora a reação imediata nos próximos dois jogos em casa.
Mais uma vez, o Paysandu começou atrás, permitindo ao adversário penetrar com intensidade em sua retaguarda, envolvida pelos passes rápidos do meia Ricardinho em direção aos atacantes Macena e Mota. A dupla, por sinal, deu trabalho. O primeiro foi Macena, aos três minutos, após aproveitar vacilo de Diego Bispo, cruzando rasteiro na área, mas interceptado por Raul. Minutos depois foi o companheiro que recebeu lançamento na pequena área e bateu por cima. O assistente marcou impedimento.
Na sequência, o Ceará se sobrepôs aos bicolores, perdidos no meio-campo, sem abastecer o ataque. Por todo primeiro tempo, as melhores chances foram do adversário, exceto aos 48 minutos, quando Alex Gaibu ficou cara a cara com o goleiro Luiz Fernando. O camisa 1 salvou o Ceará em duas defesas.
Na etapa complementar, o Papão fez um gol com um minuto, em cruzamento na área e cabeceada de Careca. O árbitro, contudo, resolveu anular o tento. Aliás, sob o comando do potiguar Ítalo Medeiros de Azevedo, mais dois gols foram anulados: um do atacante Macena e outro do zagueiro Raul, revertido em cartão amarelo para o próprio. Mas quando o goleiro Zé Carlos cedeu lugar ao reserva Paulo Rafael, o cartão de visitas foi justamente o lance do gol. Um chutaço de longa distância, desferido por Ricardinho, foi demais para o arqueiro, que rebateu nos pés de Mota. Ceará 1, Paysandu 0.
Arbitragem apareceu mais que os atletas
O Paysandu se arriscou poucas vezes na frente, mas em dois momentos distintos, o futuro da partida poderia ser outro, caso o árbitro Ítalo Medeiros de Azevedo e seus auxiliares não virassem para si os holofotes.
O julgamento, porém, não deve ser unilateral, haja vista que ambas as equipes tiveram lances duvidosos, mas a bola cabeceada sem chance por Careca foi o primeiro a indignar. Ao marcar toque de mão do atacante, os bicolores se sentiram lesados. “Pois é, ele viu essa falta, essa batida na mão. Não sei o que aconteceu. Mas foi isso, não podemos fazer mais nada, só levantar a cabeça”, comenta Vanderson.
A esfriada ofensiva não foi por opção tática, e sim devido a falta de espaço ofertada pela marcação adiantada do Ceará. Em face disso, todos os jogadores de arranque foram discretos, como Yago Pikachu, Alex Gaibu, Janilson e Eduardo Ramos. Aos sete minutos do segundo tempo, foi a vez do Ceará ter um gol invalidado. Aos 20, quando desmarcou o gol de cabeça do zagueiro Raul, Ítalo de Azevedo sentenciou o atleta com um cartão amarelo, por reclamação.
Sem saída, os bicolores se lançaram à frente, e por muito pouco não empatam no último minuto, mas já era tarde. “O árbitro desmarcou dois gols legítimos e eu não entendi o que ele viu na jogada. Não sei se veio mal intencionado, mas a nossa equipe batalhou”, disse Ricardo Capanema.
Lecheva exagera e diz que jogo foi equilibrado
Na avaliação do técnico Lecheva, a equipe do Paysandu conseguiu, no segundo tempo, desgarrar-se da pressão do Ceará, mas para cumprir com o protocolo desejado, bastou muito mais do que a força de vontade: faltou também combinar com a arbitragem, vista por ele como ingrediente ao resultado indesejado, somado a baixa eficiência ofensiva nos dois tempos, diante de uma equipe bem colocada. A vitória do Ceará, entretanto, foi amenizada.
“Quando você encontra um time bem postado, você tem que tocar a bola para achar espaço. No primeiro tempo, tivemos um jogo equilibrado, mesmo com a posse de bola deles maior, mas é claro que não tivemos muitas chances. A única de verdade foi com o Gaibu”, disse, prosseguindo. “No segundo tempo, mesmo com o gol, a postura foi diferente, conseguimos envolver mais o adversário, ainda errando o último passe, aquele que deixaria o atacante na cara do gol. Agora, o goleiro deles apareceu em duas ou três oportunidades, além dos dois gols anulados que nós tivemos”, define.
Agora, vale lembrar que antes da bola rolar, o técnico perdeu o atacante Rafael Oliveira, acometido de pressão alta e substituído as pressas pelo estreante Careca.
Já no início do segundo tempo, os bicolores também perderam o goleiro Zé Carlos, que até o momento em que saiu do jogo, alternava bons e duvidosos lances. E com a substituição dele por Paulo Rafael, no primeiro lance perigoso, o placar foi sentenciado.
Missão: ganhar os dois próximos jogos
Dentre os maiores problemas encontrados pelos bicolores nos últimos jogos, certamente o gramado tem a preferência na hora da bronca, muito diferente do estádio Presidente Vargas, em Fortaleza, dotado de boas condições. O mesmo não pode ser dito em relação ao time, que entrou cabisbaixo e pagou caro pela timidez. Peças-chave foram dribladas e estreias não muito bem sucedidas deram o tom ao resultado inesperado pelo Paysandu.
Na primeira rodada, o lateral-esquerdo Janilson estreou sem sucesso, e desta vez o atacante Careca até fez sua parte, mas foi vítima da própria ineficiência dos companheiros, que não tiveram inspiração no meio-campo. “Não tivemos o Eduardo dos outros jogos, mas ele foi atrás, buscou o jogo e nos ajudou. O Careca foi sacrificado. Sabíamos que ele não estava na condição ideal, mas devido o problema com o Rafael Oliveira tivemos que usá-lo, mas ele não comprometeu, até fez gol, só que foi anulado”
Em dois jogos o Paysandu conseguiu apenas um ponto, fruto do empate contra o Asa, antes da derrota para o Ceará. A expectativa agora é pelo retorno da vitória a qualquer custo, devido os dois jogos seguintes como mandante. Na próxima sexta-feira, Paysandu e América/RN jogam na Arena Verde, e na terça-feira (4), o PSC retorna a Belém, contra o Paraná, no Mangueirão, com a missão de sair da incômoda 15ª posição.
(Diário do Pará)
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