Após uma campanha irregular, com dois empates e uma derrota na Série B, situação que o deixou na zona de rebaixamento, a diretoria do Paysandu anunciou na noite do último sábado, a demissão do técnico Lecheva. Em seu lugar, quem assume a equipe é Givanildo Oliveira. O vitorioso e polêmico treinador terá como auxiliar técnico Rogerinho Gameleira, que já foi ídolo da torcida com a camisa bicolor.
No último sábado muito se esperava por uma reação bicolor depois de um início apático na Série B, mas a situação foi agravada após o empate com o América em 1 a 1, em Paragominas. O resultado inesperado aumentou a insatisfação entre os dirigentes do Paysandu, que outrora demonstraram confiança no trabalho de Lecheva, sobretudo por ele ter o respaldo do ex-colega de gramado, Vandick Lima, atual presidente do clube bicolor.
Mas suportar a pressão pela necessidade de vencer se tornou uma missão complicada, ainda mais pela dualidade de opinião que o técnico despertava entre a torcida. O destino do clube foi discutido durante uma reunião entre a cúpula alviazul, ainda no sábado, e ali se optou pela saída de Lecheva. O agora ex-treinador deixou uma mensagem de agradecimento à nação bicolor pelo respeito conseguido em sua longa vivência no clube.
“Quero agradecer a todos que sempre estiveram do meu lado e me apoiaram desde o início, quando assumi ano passado como treinador na Copa do Brasil, durante nossa subida pra Série B e no título estadual. Infelizmente, esses três jogos não foram como queríamos. Mesmo com um campo muito ruim, juiz nos assaltando e reforços chegando sem condições físicas ideais, poderíamos estar melhor”, disse.
Entre outras coisas, Lecheva lamentou jogar longe de Belém e garantiu que só deixará de vez o Paysandu caso a diretoria não o queira, e que colocou-se “à disposição em continuar como auxiliar do clube”, apesar de existir a possibilidade dele assinar com o CRB/AL.
Velho Giva, a eterna solução do futebol paraense
Foi o próprio presidente do Paysandu quem comunicou a decisão de demitir Lecheva. Vandick sempre manteve relações muito próximas, seja com o agora ex-técnico, ou com o atual, Givanildo Oliveira. Foi através do último, aliás, que o presidente desembarcou no Paysandu, em meados de 2001, quando se iniciou a era mais vitoriosa da história bicolor.
Oliveira comandou um esquadrão vitorioso, que teve início com o bicampeonato paraense, em 2000, prosseguindo com a conquista da Série B de 2001, Copa Norte e Copa dos Campeões, em 2002. O volume de conquistas credenciou o Paysandu a participar do maior campeonato das Américas, a Libertadores. Pelas mãos de Givanildo, passaram atletas de nome, como Vandick, Lecheva, Robgol, Sandro e Iarley.
“Nós tivemos uma reunião entre a diretoria e ficou acertado que o melhor para o Paysandu, neste momento, seria a saída do Lecheva. Infelizmente, os últimos resultados não contribuíram para o time andar na competição, e por ela ser muito rápida, com jogos corridos e viagens cansativas, achamos prudente tomar a decisão pelo tempo apertado que a Série B exige”, disse o presidente, no mesmo tom em que confirmou a vinda de Givanildo.
“Fizemos um acordo com o Givanildo Oliveira, que aceitou o desafio de comandar o Paysandu no restante da Série B, no qual ele será auxiliado por Rogerinho Gameleira”, conclui. Além de Gameleira, “Giva” fará o reencontro com o preparador físico Wellington Vero, remanescente de sua última passagem por Belém.
Rogerinho comanda time amanhã
Sob nova direção, o Paysandu não pode nem se dar o privilégio de aguardar a chegada do novo técnico. Amanhã à noite, o Bicola terá pela frente o seu quarto jogo na Série B, contra o Paraná, no Mangueirão. Este será o reencontro do time com a torcida após cumprir pena de quatro mandos de campo no município de Paragominas, e o comando provisório está nas mãos de Rogerinho Gameleira.
“Eu estou muito satisfeito. É um prazer grande, agradeço pelo convite e também ao Lecheva, pela humildade. Me encontro preparado para esta função, espero exercer bem o meu trabalho e dar alegrias para a torcida do Paysandu, que merece estar na primeira divisão. Você precisa estar preparado para as oportunidades e eu me encontro”, disse o auxiliar técnico, um velho conhecedor do trabalho de Givanildo.
“Eu trabalhei com o Givanildo durante seis anos e é uma referência de treinador para mim. Trabalho com o intuito de ajudá-lo. Observo os treinamentos e percebo quem está mais qualificado, para chegar num denominador comum. Assisti aos jogos, estou sempre pesquisando, estudando, e no Paysandu, que é um time grande, de massa, não pode ser diferente”, garante.
Gameleira esteve na Curuzu para conversar com os dirigentes, participou do treino técnico ao lado de Wellington Vero, e já tem em mente o plantel que irá auxiliar daqui em diante, entre eles o goleiro Marcelo, devidamente regularizado. O Paysandu está na 17ª posição, com dois pontos, mas terá a equipe completa, contra o Paraná, atual oitavo colocado, com quatro pontos.
(Diário do Pará)
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