Em uma atitude corajosa, baseada no puro e simples direito de assistir a uma partida de futebol, onde as exigências do Estatuto do Torcedor, em tese, devem ser cumpridas de forma correta e constitucional, dois torcedores do Paysandu entraram com uma ação no Ministério Público do Estado, solicitando a renegociação dos horários das partidas da Série B, entre clubes, emissores de televisão e demais órgãos administradores do futebol brasileiro.
A intenção de oficializar a denúncia contra o descaso na qual o torcedor brasileiro é submetido em alguns jogos de futebol partiu de dois torcedores do Paysandu, ao acompanharem a equipe em duas ocasiões diferentes: a primeira no dia 28 de maio, contra o Ceará, no estádio Presidente Vargas, e no Mangueirão, no dia 4 de junho, contra o Paraná. Nas duas situações, eles enfrentaram problemas comuns relacionados com a estrutura destinada ao torcedor, em total desacordo com o Estatuto do Torcedor. Assim, procuraram seus direitos.
No documento endereçado ao Procurador-Chefe da República no Estado do Pará, Bruno Araújo Soares Valente, Sylvio Daniel Amaral Farias, professor de Psicologia, e Edson Matos dos Santos Junior, sociólogo e professor, relatam os mais diversos motivos para tal decisão, baseadas no descumprimento do Estatuto do Torcedor, no que diz respeito à organização das partidas, englobando críticas à mobilidade urbana, estrutura insuficiente nos estádios no que diz respeito a acesso e bilheteria, além do horário, estabelecido pela detentora dos direitos de transmissão da Série B.
“Não nos resta a menos dúvida que, ao marcar os jogos para este horário (19h30), há um flagrante desrespeito ao disposto no Artigo 26 do Estatuto do Torcedor que assegura a estes: I – o acesso a transporte seguro e organizado e; III – a organização das imediações do estádio em que será disputada a partida, bem como suas entradas e saídas, de modo a viabilizar, sempre que possível, o acesso gratuito e rápido ao evento, na entrada, e aos meios de transporte, na saída”, diz o conteúdo documental.
Seguem ainda, observações sobre os horários das transmissões de jogos, que, segundo eles, para que “possam transmitir duas partidas numa mesma noite, agendam os jogos para um horário impraticável para o conforto, segurança e interesse das torcidas comparecerem aos estádios, aumentando assim, sua própria audiência e faturamento”.
Ataque ainda não vingou
De todas as exigências pretendidas pela comissão técnica do Paysandu antes da Série B, praticamente todas foram atendidas. Só de contratações foram oito, faltando apenas um lateral-direito.
Em compensação, a torcida aguarda ansiosamente pela evolução do prometido ataque. E por ter sido, durante a temporada estadual, a segunda artilharia mais ofensiva do Brasil, fica aquela sensação no torcedor. “Será que vai melhorar?”. Se irá, só os jogos dirão, mas com reforços de nível, os gols só não saem caso a trave resolva se movimentar, porque gabarito melhor, impossível.
Com jogo de cintura, o Paysandu foi trazendo jogadores de renome, que carregam consigo status de artilheiro. Careca ainda se mantém no topo nacional, com 19 gols. Marcelo Nicácio conquistou o acesso com o Vitória em 2012, ainda por cima foi artilheiro no certame baiano, com 11 gols.
Somem-se a eles, os jogadores da casa. João Neto fez 11, enquanto Rafael Oliveira anotou 12. Ao todo, somente nos campeonatos estaduais, estes quatro atacantes alcançaram em suas respectivas equipes, um total impressionante de 55 gols, número total conseguido pelo Paysandu. Restam ainda Heliton e Iarley. Seis atletas de frente, no total.
No entanto, o que se viu na Série B é apenas um ensaio. Em cinco jogos, Rafael Oliveira marcou dois gols, enquanto João Neto está devendo e os reforços fizeram um jogo cada. O setor ofensivo tem média inferior a um gol por jogo. Diante deste prognóstico, fica a esperança, contornada com muita força de vontade, por quem deseja ver o Paysandu no topo da segunda divisão nacional. “Bons atacantes trazem uma concorrência saudável para nós, e isso beneficia o grupo, sobretudo a torcida”, disse Nicácio.
(Diário do Pará)
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