Desde ontem à tarde, oficialmente, Sérgio Cabeça não é mais o presidente do Clube do Remo. Em carta assinada por ele e apresentada na sede social, Cabeça, que já estava licenciado por problemas de saúde, renunciou ao cargo. A partir de então o vice, Zeca Pirão, que estava como presidente interino, assume como presidente remista, com mandato até dezembro de 2014.
“Fiquei muito triste, porque ele foi um grande presidente, um apaixonado pelo clube desde os tempos de atleta. Respeito a sua decisão e, agora, assumo a missão de conduzir o Remo, como o mesmo afinco dele”, afirmou Zeca Pirão.
Tendo mais de um ano pela frente, o novo presidente do Leão diz que sua prioridade, de imediato, será pagar jogadores e funcionários do clube. “Vamos arrecadar um dinheiro até amanhã. Quando entrei no Remo, encontrei funcionário com 12 meses de atraso e conseguimos pagar nove. Agora, vamos pagar o restante. A prioridade vai ser para quem receber um salário mínimo. Vamos deixar as contas zeradas com esses funcionários”, prometeu Pirão.
Além disso, o novo presidente também promete uma política de participação popular na gestão do Conselho Diretor (Condir), abrindo espaço para opiniões de dirigentes, conselheiros e sócios azulinos. Na semana passada, quando ainda era interino, Pirão se reunião com membros da comunidade azulina (Remocracia, Remo é Meu e Assoremo) que elaborou grupos de trabalho para auxiliar em áreas especificas, como marketing, reformas e aluguéis de espaços.
HISTÓRICO
Sérgio Cabeça Braz, 65 anos, é engenheiro, ex-atleta de basquete e estava no seu segundo mandato. Em três anos de gestão não teve êxito no futebol profissional do Remo, conquistando apenas um turno do Campeonato Paraense de 2012. Desde então, ele e seus diretores tentam fazer o clube ter sucesso no Campeonato Brasileiro da Série D, mas não conseguem. Cabeça, no entanto, diz que as dívidas trabalhistas foram prioridades, reduzindo um déficit na Justiça do Trabalho em quase R$ 3,5 milhões.
Carrossel pode ser negociado
O Clube do Remo poderá arrendar a área do Carrossel dentro dos próximos meses. Para o departamento jurídico azulino, a reunião que aconteceu ontem (8) no Tribunal Regional do Trabalho do Pará (TRT-PA) adiantou a negociação entre o clube e empresários interessados em construir uma área comercial no local.
A intenção do projeto é quitar ou pelo menos diminuir o déficit financeiro do clube. O grande entrave é o fato de a área do Carrossel ser penhorada pela Justiça Trabalhista por conta de dívidas, o que faz com que o contratante exija certidões. “Precisamos levantar a dívida para saber qual o valor exato do aluguel. A área é penhorada, porém, hoje, suspensa de leilão. Mas, qualquer situação que aconteça nela é preciso comunicar para a justiça”, informou Pablo Coimbra, advogado do clube.
Para fazer um levantamento, no entanto, o departamento jurídico vai precisar de tempo. “A apreciação desses documentos não depende só do Remo. Por exemplo: só da Justiça do Trabalho, precisa-se de 17 certidões, equivalentes às 17 varas da justiça daqui. Ainda tem os cartórios e outros”.
Pela proposta do Remo, o contratante pagaria o valor do aluguel diretamente para a Justiça de forma à vista. Assim, um credor por vez receberia. “Faremos um acordo bom para todos: Remo, empresários e Justiça”, concluiu o advogado do Remo.
Marin recebeu proposta de incluir o Remo na série D, mas não decidiu
Ontem, em Brasília (DF), o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, recebeu das mãos de parlamentares ligados à bancada do Pará uma proposta de acordo amigável para ação impetrada por um torcedor do Clube do Remo contra a entidade, no processo em que o azulino contesta a inclusão do Genus (RO) – e não a do Remo – no Campeonato Brasileiro da série D fora do prazo previsto no Estatuto do Torcedor. O mandatário, porém, não respondeu ao pedido.
A CBF foi notificada oficialmente da ação do torcedor remista na última sexta-feira (5) e imediatamente suspendeu a partida entre Genus e Nacional (AM), que estava marcada para o domingo (7), em Porto Velho (RO). Mas, a entidade deve tentar cassar a liminar nos próximos dias.
Os advogados da ação contra a CBF, Vanessa Egla e Valber Mota, iriam à capital federal para a negociação. Contudo, os senadores e deputados do Pará intermediaram a conversa com Marin.
“Como conseguimos apoio dos políticos do Pará lá em Brasília, evitamos essa despesa de passagem e demos o apoio aqui por Belém mesmo, através do telefone. Eles fizeram a proposta de acordo ao Marin, para a inclusão do Remo na série D, em troca do cancelamento da ação”, explicou a advogada Vanessa Egla, prosseguindo. “O que tinha pra ser feito lá, foi feito. Agora, só iremos esperar uma resposta do presidente que não sabemos quando ele irá dar”, revela.
Ainda ontem, a Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) denunciou o Remo pela ação impetrada pelo torcedor na Justiça Comum. Para a advogada, foi apenas uma ‘ação de praxe’. “Isso só poderia surtir efeito se existisse como provar que nós (advogados e torcedores) somos ‘laranjas’ a serviço do clube. Como esse tipo de prova nunca vai aparecer, porque a ação é unicamente movida por um torcedor, esse movimento da CBF não irá ter feito. Tenho certeza que o STJD não irá punir o Remo”, crê.
Enquanto o presidente da CBF não se pronuncia, a ação corre normalmente na justiça. “Temos todo o esquema montando. Se ele (Marin) não for a favor do acordo, a ação continua correndo normalmente na justiça, com recursos e as liminares dos dois lados. É isso que irá acontecer”, finaliza.
(Diário do Pará)
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