A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) continua se mexendo para tentar caçar a liminar impetrada pelo torcedor Wendell Figueiredo, na justiça comum, protocolada na 10ª Comarca da Vara Cível de Ananindeua. Na última segunda-feira (8), a procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) denunciou o Remo pelo recurso do torcedor. Ontem, os advogados da CBF, entraram com um chamado “Agravo de Instrumento” no Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE-PA).
Em relação ao primeiro ato da CBF, o advogado Valber Motta volta a frisar que não existe como a instituição “Clube do Remo” ser punida por não ser autora da ação. Já ao Agravo de Instrumento de ontem, Valber esclarece que se trata de uma tentativa de suspender o efeito da liminar cedida da última sexta-feira (5) pelo juiz Raimundo Rodrigues Santana, que suspendeu o jogo entre Genus (RO) e Nacional (AM).
“As nossas providências já estão sendo tomadas. Vamos apresentar memoriais que justificam a liminar, com fatos jurídicos. Acreditamos que o desembargador será sensato e verá que temos razão na liminar”, confia Valber.
ENTENDA O CASO
Tudo começou no dia 8 de junho, quando Wendell Figueiredo conseguiu uma liminar para suspender a partida entre Paragominas e Genus (RO), válida pela segunda rodada do Brasileiro da Série D. O documento foi concedido pelo Juiz de Plantão, Raimundo Rodrigues Santana, na 10ª Vara Civil de Ananindeua. Mas, a liminar não teria chegado a tempo no local do jogo, o Estádio Arena Verde, em Paragominas.
Contudo, o episódio não parou a ação de Wendell. Orientado por seus advogados, Walber Mota e Vanessa Egla, ele recorreu alegando que CBF descumpriu a Lei nº 10.671/2003, do Estatuto do Torcedor por não ter divulgado a tabela e o regulamento com sessenta dias de antecedência ao início da competição.
Na última sexta-feira (5), o mesmo juiz de Ananindeua deu o parecer favorável e, com um advogado in loco no Rio de Janeiro, local sede da CBF, a notificação chegou até a parte contrária, que, de imediato, suspendeu a partida entre Genus e Nacional (AM).
Desde então, a CBF se movimenta. Na segunda-feira, a procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) denunciou o Remo pelo recurso movido pelo torcedor, a fim de puni-lo. Ontem, os advogados da CBF, entraram com um chamado “Agravo de Instrumento” no Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE-PA), que tem como propósito tentar suspender efeito da liminar cedida da última sexta-feira que cancelou o jogo entre Genus e Nacional. Os advogados do torcedor, por sua vez, também tomam suas providências, com a apresentação de memoriais e fatos jurídicos que argumentam sobre o adiamento da partida. Além disso, eles esperam um acordo amigável feito diretamente com o presidente da CBF, José Maria Marin, e intermediado por políticos do Pará para que o Leão posso voltar à Série D.
Acusação em rede social repercute
Mesmo estando há pouco mais de um mês à frente da ação de Wendell Figueiredo, o torcedor do Clube do Remo que entrou com uma ação contra a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) por conta da inclusão do Genus (RO) na Série D, o advogado, Valber Motta, se diz “impressionado” com o que tem visto nos bastidores do futebol paraense nesse tempo.
Ontem, Valber Motta mostrou toda essa sua indignação em uma publicação assinada por ele no grupo “O Remo é meu”, uma das maiores comunidades virtuais de associados ao Remo, na rede social Facebook. Na postagem dividida em três tópicos, o advogado chamou atenção ao comentar o tratamento com que a Federação Paraense de Futebol (FPF) vem tendo com o Leão. Segundo a postagem dele, “a nossa Federação é totalmente parcial, e segue claramente as determinações do grupo que dirige nosso adversário”. Sem citar nomes de ninguém em momento algum, Valber vai além.
“O presidente da Federação e sua assessoria, se colocaram totalmente favoráveis à CBF, tendo inclusive tirado cópias do processo, mandado pro Rio (de Janeiro), sondou o pessoal do judiciário e pasmem, se colocaram à disposição do jurídico da CBF pra tentar cassar nossa liminar”, diz a publicação.
Em outro trecho, o advogado faz mais uma acusação. “(Eles estão) trabalhando gratuitamente nesta causa, claro que tudo isso financiado pela diretoria de um certo clube”.
Procurado pela reportagem, o advogado Valber Motta confirmou que a postagem na rede social é realmente de sua autoria. “Não citei nomes de ninguém, somente expressei minha revolta, não como advogado, mas como torcedor. Minha intenção não é denunciar ninguém no ‘post’, é só chamar atenção de nossos torcedores apaixonados”, diz.
Sobre as acusações, o assessor jurídico da FPF, Antônio Cristino, disse que as acusações de que a Federação é contra o Remo não procedem.
Com a polêmica, torcedores organizaram um protesto nesta quinta-feira (11), em frente à sede da Federação, localizada no bairro do Guamá.
(Diário do Pará)
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