Uma brecha, um pedido e mais promessas. Pode-se dizer que essas são as palavras que definiram o encontro entre os diretores do Clube do Remo com a cúpula da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em almoço, ocorrido ontem, em São Paulo.
O presidente Zeca Pirão, e o seu atual vice-presidente, Maurício Bororó, estiveram frente a frente com o próprio presidente de CBF, José Maria Marin, acompanhado do seu diretor de Desenvolvimento e Projetos, Reinaldo Carneiro Bastos, em uma reunião cercada de expectativas envolvendo a participação do Leão na série D, mas que não trouxe resultado prático. Pelo menos não até antes do final dessa semana, prazo que a CBF estipulou para dar um retorno aos azulinos.
Em meio ao ‘quiproquó’ que se tornou a tentativa do Remo de participar da quarta-divisão do Campeonato Brasieiro, Zeca Pirão expôs ao presidente da CBF que o Remo obteve o melhor índice técnico – ou seja, mais pontos - do que o Paragominas no Campeonato Paraense 2013, mas mesmo assim, o representante do Pará no certame foi o PFC.
REGULAMENTO ERRADO
Pirão voltou a insistir que o regulamento do Campeonato Paraense foi interpretado errado ao colocar o Jacaré, com 11 pontos a menos do que o Leão, na competição. E essa é a brecha que os azulinos estão argumentando. “A brecha é o regulamento do Campeonato Paraense, que tirou o Remo mesmo tendo maior número de pontos, uma injustiça que precisa ser reparada”, deseja o presidente do Remo.
RECURSO DE TORCEDOR
A questão, segundo Pirão, será analisada pelo departamento técnico da CBF. Mas, para isso, o cartola azulino revelou que prometeu convencer o torcedor Wendell de Souza Figueiredo a retirar a ação, feita através da justiça comum, que tenta embutir o Remo no torneio, acusando a CBF de não ter se utilizado do Estatuto do Torcedor na escolha do Genus (RO) no certame. “Pedimos aos advogados que retirem a ação na Justiça, pois a situação do Remo está complicada e poderá ficar mais ainda”, apelou.
BENEFÍCIOS
Ainda segundo Pirão, parar agora o recurso de Wendell, só trará benefícios, já que o Remo foi punido em R$ 20 mil e impedido de participar por dois anos do Brasileiro da D. “Vai haver uma reunião nesta quarta-feira (17) para viabilizar uma maneira de que o Remo não seja punido, desde que a ação seja retirada, e dessa reunião será informado o parecer jurídico. De qualquer forma o Remo poderá se livrar da pena de R$ 20 mil e também de ficar fora de competições nacionais, e ainda uma possível participação na Série D”, confia Pirão.
Ação do torcedor vai ser retirada com ressalvas
O pedido feito pelo presidente do Clube do Remo, Zeca Pirão, para que aos advogados do torcedor Wendell Figueiredo de Souza retirem a ação contra a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na justiça comum, deve ser atendido hoje. Segundo Vanessa Egla, uma das advogadas da causa, o fato da CBF ter ser predisposto a ouvir e analisar o caso, contribui para a decisão.
“Percebemos que se o Remo pode ser favorecido, vamos retirar a ação. Eles (CBF) precisavam ouvir a nossa causa e isso está acontecendo”, acredita Vanessa Egla.
Na última sexta-feira, dia 12, os juristas que defendem Wendell, chegaram a afirmar que iriam retirar a ação, mas voltaram atrás depois de concluírem que existia uma brecha para tentar anular o julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) – o que puniu o Remo com a suspensão de dois anos do Brasileiro da Série D -, alegando que não foi dado o direto a ampla defesa.
Apesar da promessa de cessar o processo hoje, os advogados demonstram que continuam atentos, como na semana passada.
Ainda segundo a advogada, se o pedido da CBF ao presidente do Remo, Zeca Pirão, não passar de uma manobra, o processo pode ser restaurado. “Porém, se for apenas um ‘s’, que tudo isso é um golpe para desistirmos da ação, nada impede que outros ou até o mesmo torcedor ingressem com uma ação. Podemos entrar com a mesma matéria até três vezes”, ameaça Egla.
Voltar a jogar é sobreviver às dívidas
É preciso torcer para que o Clube do Remo volte a disputar uma competição oficial este ano. Depois que o conselheiro e contador do Remo, Francisco Rosas, revelou o quadro de todo o débito perante os órgãos federais; voltar a ter renda e patrocínio, passou a ser praticamente uma questão de sobrevivência para o Remo: no levantamento feito por Rosas, as dívidas do clube chegam a casa dos R$ 8 milhões. Isso apenas referente aos débitos com INSS, FGTS e IR. Somando as dívidas na justiça do trabalho, o valor praticamente duplica para aproximadamente R$ 15 milhões.
O conselheiro apurou os números a pedido de Zeca Pirão, presidente do Remo, que desejava conseguir certidões negativas para a negociação da área do Carrossel com um grupo de empresários.
Com o número elevado, Rosas adiantou que irá propor a Pirão o parcelamento dessa dívida, mas o problema é que para isso, é preciso dar de entrada pelo menos R$ 1 milhão. “Vamos propor o parcelamento e conseguir as certidões negativas que são necessárias ao futuro do Remo. Mas, esse parcelamento só pode acontecer se for feito uma entrada, que pelos meus cálculos, é em torno de R$ 1 milhão”, revelou.
(Diário do Pará)
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