Maracanã não é apenas nome do estádio de futebol do Rio de Janeiro. Maracanã tem a ver com futebol, mas este com a bola nos pés, força de vontade e uma torcida apaixonada que durante os anos de 1996, 97 e 98 fizeram um clube se reerguer e quebrar um tabu de muitos anos. Maracanã, ex-jogador de futebol dos principais clubes do Pará, já fez nome até no exterior, mas antes disso deixou um rastro de dias de glórias vividos por quem não arredava o pé do estádio e nem desgrudava o radinho do ouvido.
O ex-atacante do Paysandu, Remo e Águia jogou o primeiro profissional dele no time do Tiradentes. “Foi lá que eu fiz muitos gols contra o Remo e Paysandu, daí resolveram me comprar para o time bicolor em 96. Foi quando dei o primeiro passo”, lembra o ex-jogador, que não só deu o primeiro passo, mas deu o primeiro chute de uma série de goleadas e de grandes mudanças.
Ainda adolescente, Maracanã morava com os pais no município que originou o apelido do atacante. Na cidade de Maracanã, localizada a 164 quilômetros da capital paraense, ele sonhava em sair para alcançar voos maiores. “A nossa casa lá era muito humilde, de madeira. Hoje, eu agradeço tudo que eu tenho ao futebol, porque apesar dos baixos salários foi dele que tirei o sustento da família e até hoje ainda consigo ajudar minha mãe”, revela.
O ex-atacante jogou um Campeonato Brasileiro da Série B pelo Papão, em 96, momento crítico para o Paysandu que não ganhava do rival há muito tempo. “Quando cheguei ao Paysandu, o time estava sem ganhar há tempos. Foi naquele memorável tabu dos 33 jogos do Leão. Formamos um time muito bom, quebramos esse tabu e depois ficamos invictos”, relembra o jogador que anos depois foi parar do outro lado da Almirante Barroso.
Em 2000, Maracanã deu outros rumos na história dele. Foi jogar no Clube do Remo, onde teve a oportunidade de disputar a copa João Havelange. Mas antes disso, ainda em 98, quando saiu do Paysandu, a proposta financeira para sair de Belém foi mais em conta e o atacante foi levar a chuteira para São Paulo, onde foi comprado pelo time São Bento, de Sorocaba. “Aqui eles pagavam muito mal a gente, e eu sempre renovava os contratos porque era o que tinha mesmo. Mas quando saí daqui, eu realmente vi como os jogadores profissionais são valorizados lá fora”, afirma, lembrando ainda que ajudou o time a subir para a primeira divisão naquele momento.
Lá, ele não durou muito tempo porque o Leão fez uma proposta e trouxe o jogador de volta. “Foi um momento muito bom no Remo. Disputamos o (Campeonato) Paraense, mas logo depois recebi uma outra proposta, agora para sair do Brasil”, conta o jogador que atuou no Safa de Beirut no Líbano.
Com o álbum de fotos aberto, mostrando cada momento vivido nos times paraenses, Maracanã se empolga ao falar da parceria com Zé Augusto. “Fizemos até promessa juntos para ver o Paysandu vencendo. A graça foi alcançada e nós dois raspamos a cabeça e ainda pintamos o resto da cabeleira de loiro”.
Uma das coisas que mais orgulha esse ex-jogador é ver que ele teve o carinho e respeito das duas maiores torcidas do Norte, e hoje ele torce para que o futebol paraense tome novos rumos. “Se um dia eu voltasse para o futebol, seria para trabalhar com base de time. Acredito que se houvesse mais investimento na base dos clubes, nós teríamos jogadores mais bem preparados. Quem sabe, um dia, quem sabe um dia”.
(Diário do Pará)
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